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O novo ritual do café: a ascensão das bebidas vegetais

O consumo de bebidas vegetais na Europa já não é uma tendência — é uma realidade consolidada. E, segundo Anna Rovira, diretora de marketing da Liquats Vegetals (empresa por trás das marcas YoSoy e Almendrola), algumas regiões estão puxando esse crescimento com mais força do que outras.

Em entrevista ao Consumidor Global durante a feira Alimentaria, em Barcelona, Rovira detalha como a categoria evoluiu, quais hábitos estão mudando e por que a inovação segue sendo o principal motor do setor.

Cataluña no centro do consumo europeu

Um dos dados mais curiosos compartilhados por Rovira é o protagonismo regional no consumo:

Cataluña e a região do Levante estão entre as áreas que mais consomem bebidas vegetais em toda a Europa.

Esse comportamento não é por acaso. Segundo ela, a presença histórica da marca YoSoy nessas regiões, aliada a uma estratégia de preços mais acessíveis, ajudou a consolidar o hábito.

Um mercado competitivo — e em crescimento

Apesar da liderança, a Liquats Vegetals opera em um cenário bastante disputado. A empresa detém cerca de 15,3% de participação de mercado na Espanha, competindo com grandes marcas como Alpro e Vivesoy, além da forte presença de marcas próprias.

Mesmo assim, há segmentos onde a liderança é ainda mais expressiva. No nicho de bebidas vegetais para café — o chamado segmento barista — a empresa alcança cerca de 38% de participação.

A revolução do café personalizado

Um dos principais vetores de crescimento está na transformação do consumo de café.

Se antes as opções se resumiam a “com leite ou sem leite”, hoje o cenário é outro:

  • bebidas com aveia, coco, amêndoa ou pistache
  • versões sem açúcar ou com açúcares naturalmente presentes
  • combinações com matcha e chai

Segundo Rovira, esse movimento é impulsionado principalmente pela geração Z, que busca novas experiências e transforma o café em um ritual personalizado.

Já os millennials tendem a ser mais focados na qualidade dos ingredientes e na excelência da bebida.

A força da aveia — mas com espaço para novas bases

A bebida de aveia segue como protagonista, representando mais de 50% do mercado. Ainda assim, outras bases estão ganhando espaço:

  • amêndoa: crescimento consistente
  • coco: participação menor, mas em expansão
  • pistache: aposta recente, ligada à inovação

A executiva destaca que, embora a aveia seja hoje a preferida para misturar com café, o consumidor continua aberto a experimentar.

Inovação como estratégia

Um exemplo claro dessa busca por diferenciação é o lançamento da bebida de aveia barista sem açúcar, pensada para atender um consumidor mais exigente dentro do universo do café.

O segmento barista, que surgiu em 2020 durante a pandemia, entra agora em uma fase mais madura — e começa a demandar produtos mais específicos e sofisticados.

Expansão internacional em curso

Atualmente, cerca de 22% da produção da empresa é exportada, com foco principal na Europa:

  • Holanda
  • Bélgica
  • França
  • Áustria

Em alguns desses mercados, a marca já está presente em mais de metade dos pontos de venda.

Fora da Europa, a atuação ainda é mais limitada, embora já existam operações na Ásia e na América do Sul.

O debate sobre preço

Um dos pontos recorrentes na categoria é a comparação entre o preço das bebidas vegetais e o leite.

Rovira argumenta que essa diferença precisa ser analisada com mais profundidade:

  • tanto o leite quanto as bebidas vegetais têm a água como principal componente
  • o desenvolvimento de produtos sem aditivos aumenta os custos
  • o setor de leite é fortemente subsidiado, o que impacta a comparação

Além disso, ela reforça que a YoSoy busca manter preços mais acessíveis do que outras marcas da categoria.

O que isso sinaliza para o foodservice

A entrevista reforça alguns sinais importantes para operadores e marcas:

  • o café virou território de experimentação
  • personalização deixou de ser diferencial e virou expectativa
  • a geração Z está redefinindo rituais de consumo
  • bebidas vegetais já fazem parte do mainstream

Para quem acompanha o foodservice — como no Portal Foodbiz —, esse movimento indica que a categoria deve continuar evoluindo não só no varejo, mas também em cafeterias, restaurantes e novos formatos de consumo.

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