O clima costuma ser aliado natural do foodservice carioca. Mas, em 2025, a combinação de dias frios e chuvas intensas mudou o jogo. O inverno atípico afetou principalmente bares e restaurantes a céu aberto, tão comuns em uma cidade onde comer e beber fora de casa fazem parte do estilo de vida.
A queda no movimento foi sentida de forma direta por operações instaladas em pontos turísticos. É o caso da Geneal, tradicional rede de cachorro-quente fundada em 1963. Segundo Luciana Palhares, uma das diretoras da marca, as unidades ao ar livre chegaram a faturar cerca de 20% menos durante o período mais frio. Já as lojas localizadas em shoppings centers seguiram caminho oposto: em dias de chuva, o aumento de vendas chegou a 30%.
A expectativa agora é de recuperação ao longo do verão. Para isso, a Geneal aposta em ações no fim da tarde e em produtos mais associados ao calor, como açaí e mate — uma estratégia comum entre marcas que buscam diluir perdas climáticas ao longo do ano, como já analisado em estudos e conteúdos do Portal Foodbiz.
Enquanto alguns negócios dependem diretamente do sol, outros mostram maior resiliência às variações do tempo. Restaurantes consolidados, como o Satyricon, em Ipanema, mantêm movimento estável independentemente do clima. Ainda assim, o verão traz um reforço importante: o turismo. Entre dezembro e fevereiro, turistas chegam a representar até 30% da clientela da casa.
Para o restaurateur Bruno Tolpiakow, não é o cardápio que muda com a estação. O diferencial está na experiência como um todo. Atendimento, ambientação e hospitalidade continuam sendo decisivos para manter a casa cheia — um ponto recorrente nas discussões sobre competitividade no foodservice.
A chuva, mais do que o frio, segue sendo o maior desafio. Essa é a avaliação do chef Luiz Petit, à frente de um grupo com operações entre Leblon e Botafogo. Segundo ele, enquanto temperaturas mais baixas alteram o que o cliente pede, a chuva muitas vezes impede a saída de casa. Ainda assim, grandes eventos ajudaram a equilibrar o cenário em 2025, impulsionando o fluxo turístico e o movimento dos restaurantes.
De olho na alta temporada, o grupo investiu em ajustes pontuais, como a renovação de cardápios e a ampliação da oferta de vinhos mais leves, alinhados aos dias quentes — mudanças que refletem uma leitura atenta do comportamento do consumidor.
Na visão do SindRio, o momento é positivo. O presidente da entidade, Fernando Blower, destaca o fortalecimento da imagem internacional do Rio e projeta um 2026 promissor, com muitos feriados prolongados. Para aproveitar o fluxo, o recado é claro: planejamento. Treinamento de equipes, atenção ao atendimento e preparo para receber turistas — inclusive com cardápios em inglês — fazem parte do básico para transformar a alta temporada em resultado.
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Fonte: CNN







