A recente onda de intoxicações ligadas a bebidas adulteradas com metanol já começa a impactar bares e restaurantes, especialmente na capital paulista. O episódio trouxe desconfiança dos consumidores e abriu um novo capítulo de incerteza para empresários do setor.
Menos drinques, mais cerveja
O Grupo Hungry, dono de três casas em São Paulo e com previsão de faturamento de R$ 17 milhões em 2025, já sente o reflexo direto da crise. De acordo com André Silveira, sócio-fundador, as vendas de drinques caíram de forma expressiva.
“Desde que os primeiros casos vieram à tona, começamos a receber mensagens de clientes querendo saber se podiam confiar na procedência das bebidas. Mesmo garantindo transparência, a insegurança permanece”, explica.
Enquanto drinques perdem espaço, chope e cerveja ganharam protagonismo. Empresas que costumavam contratar pacotes open bar com destilados passaram a preferir apenas cerveja, movimento que também vem sendo monitorado por fornecedores.
Estratégias para reforçar a confiança
Para lidar com a desconfiança, o grupo passou a manter notas fiscais das bebidas disponíveis nas próprias casas, prontas para serem apresentadas a fiscais ou até clientes. A ideia é mostrar transparência e reforçar a confiança no consumo.
“O falsificador usa garrafa e selo originais, é quase impossível identificar visualmente. A saída é reforçar a fiscalização e cortar a distribuição antes de chegar ao consumidor”, afirma Silveira.
A Abrasel-SP também recomenda que bares e restaurantes só comprem de fornecedores oficiais e que inutilizem garrafas vazias, evitando sua reutilização por fraudadores.
Um problema antigo, agora em evidência
Apesar de os casos recentes terem reacendido o alerta, bebidas adulteradas não são novidade no país. Somente em 2025, já foram confirmados dez casos de intoxicação por metanol no Brasil, sendo nove em São Paulo, além de uma morte confirmada e outras em investigação.
“Esse sempre foi um problema grave, mas muitas vezes invisível. Agora voltou ao debate público, e isso pode até tornar o consumo mais seguro, porque a fiscalização deve se intensificar”, avalia Silveira.
A trajetória do Grupo Hungry
Fundado em 2012 por André Silveira e a chef Mariele Horbach, o grupo nasceu com a proposta de trazer um clima de boteco carioca para São Paulo. Depois de um início difícil, encontrou seu equilíbrio ao dividir responsabilidades: ela na cozinha, ele no salão.
Atualmente, com três bares em operação, o grupo aposta na proximidade com os clientes como diferencial competitivo. “Na pandemia, viramos quase uma extensão da casa deles. Essa relação é o que sustenta o negócio”, afirma Horbach.
Entre o medo e a adaptação
Enquanto aguardam ações mais duras contra as fábricas clandestinas, bares que atuam dentro da legalidade enfrentam um desafio extra: mostrar que o consumidor pode continuar confiando em quem trabalha corretamente.
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Fonte: Exame







