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Frango Assado ganha protagonismo no portfólio da IMC após saída do KFC

Conteúdo originalmente publicado pela Agência DC News

Após vender integralmente sua participação no KFC no Brasil, a International Meal Company (IMC) passou a direcionar seus holofotes para uma marca de origem nacional: o Frango Assado. A rede, adquirida pelo grupo em 2008, tornou-se peça central da estratégia de crescimento e reorganização da companhia no país.

Com 73 anos de história e forte presença nas rodovias, o Frango Assado atravessa um novo ciclo de expansão que combina a tradição dos pontos de estrada com o avanço em canais digitais, vendas online, delivery, autoatendimento e formatos adjacentes de conveniência. A meta é sustentar um ritmo de crescimento anual próximo de 15%, em linha com o desempenho médio registrado desde 2022.

No curto prazo, os planos seguem concentrados em São Paulo e Minas Gerais, mas a expansão para novos estados continua no radar da companhia.

“Nossa intenção é dobrar o tamanho da marca”, afirmou Edvaldo Souza, general manager do Frango Assado, em entrevista à Agência DC News. Segundo ele, o prazo para atingir esse objetivo dependerá do cenário macroeconômico.

A maior atenção ao Frango Assado ocorre em paralelo a um movimento de reorganização financeira da IMC. No terceiro trimestre de 2025, o grupo — que também opera marcas como Pizza Hut, Viena e Batata Inglesa — avançou na desalavancagem, reduzindo em R$ 144 milhões sua dívida líquida no acumulado do ano. A alavancagem chegou a 2,1 vezes o Ebitda após a conclusão da operação envolvendo o KFC.

Entre janeiro e setembro de 2025, a IMC registrou receita líquida consolidada de R$ 1,5 bilhão e Ebitda ajustado recorrente de R$ 202,1 milhões, alta de 10,2% no período.

Dentro desse contexto, o Frango Assado apresentou resiliência operacional. No acumulado de 2025 até setembro, a receita líquida da rede somou R$ 468,3 milhões, praticamente estável em relação ao mesmo intervalo de 2024, com leve retração de 0,1%. Na comparação trimestral, houve queda de 2,5%, atribuída principalmente à redução do volume nos postos de combustível, em linha com a estratégia de diminuir a exposição ao diesel, produto de menor margem.

Mesmo com menor dependência do combustível, o foco nas estradas permanece. A rede desenvolveu um método próprio de escolha de pontos, priorizando rodovias de alto fluxo e contratos de longo prazo — entre 20 e 30 anos — o que garante previsibilidade operacional e diluição dos investimentos.

“Como os contratos são longos, é essencial acompanhar os movimentos de privatizações e concessões para entender onde estarão as oportunidades”, explicou Souza. Hoje, a marca está concentrada principalmente em São Paulo e Minas Gerais, mas vê potencial de expansão a partir desse mapeamento.

Com operações robustas — cada nova unidade demanda cerca de R$ 5 milhões em investimentos —, o Frango Assado passou três anos sem inaugurações até abrir, em 2024, sua 23ª loja. Localizada na Via Dutra, a unidade ocupa 1,4 mil metros quadrados e marca a retomada do plano de crescimento, agora mais seletivo, priorizando pontos com maior previsibilidade de retorno.

Mesmo com a modernização, alguns pilares seguem inegociáveis. “O cliente precisa encontrar o espetinho e os produtos clássicos, mas também opções novas”, afirmou o executivo. Segundo ele, preservar a cultura da empresa fundada em 1952 é parte central da estratégia.

Digital como alavanca de crescimento

Paralelamente à expansão física, o avanço digital se consolidou como uma das principais alavancas da rede. No terceiro trimestre, o Frango Assado movimentou R$ 55 milhões em vendas digitais, crescimento de 9,4% na comparação anual.

A estratégia passa pela digitalização da jornada do cliente dentro das lojas, com forte uso de totens de autoatendimento — responsáveis por cerca de 68% das vendas — e pelo fortalecimento do aplicativo Fran-GO!, que já superou 500 mil downloads e responde por aproximadamente 7% do faturamento.

A digitalização também abriu novas frentes de monetização do ponto de venda, com a venda de espaços publicitários no ambiente físico. Além disso, a rede avança com o Fran Market, formato de loja de conveniência que já representa cerca de 15% da receita total.

Para melhorar margens, a companhia tem reforçado as marcas próprias Frango Assado e Nonno Beppe, com um portfólio de cerca de 50 SKUs, que inclui congelados, doces, brinquedos e até água mineral. Há ainda parcerias com nomes como B.Lém, Carole Crema e Ceratti no desenvolvimento de produtos. “Mas o carro-chefe continua sendo o tradicional pão de semolina”, destacou Souza.

A operação é sustentada pela cozinha central instalada em Louveira (SP). Inaugurada em 2019, a unidade concentra a produção dos principais itens da rede, incluindo a fabricação do pão de semolina. O complexo ocupa cerca de 5 mil metros quadrados e recebeu investimento superior a R$ 35 milhões, reunindo processos industriais e tecnologia para garantir padronização, produtividade e controle de qualidade.

Antes disso, a rede operava com duas cozinhas centrais. A unificação trouxe mais agilidade e capilaridade logística. “Passamos a entender melhor as oportunidades”, afirmou Souza, ao comentar os ganhos de eficiência obtidos em parceria com a IMC.

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Da barraca à marca nacional

A história do Frango Assado começa no início dos anos 1950, em Louveira, quando José Mamprim, filho de imigrantes italianos, abriu uma pequena barraca à beira da rodovia Anhanguera para atender viajantes e caminhoneiros. O frango preparado de forma artesanal rapidamente se destacou e transformou o ponto em destino recorrente na estrada.

Com o aumento da demanda, a barraca virou restaurante e, ainda na década de 1950, adotou oficialmente o nome Frango Assado. Nas décadas seguintes, a família expandiu a operação acompanhando o crescimento do tráfego rodoviário em São Paulo, com unidades em corredores como a Via Dutra e a Imigrantes.

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