Conservantes alimentares podem estar associados a um aumento no risco de alguns tipos de câncer, como mama, próstata e cólon. É o que aponta um estudo conduzido por pesquisadores da Université Sorbonne Paris Nord e da Universidade Paris Cité, na França, divulgado no início de 2026. Embora a pesquisa não estabeleça uma relação direta de causa e efeito, os autores indicam que a exposição contínua a aditivos químicos merece atenção. O alerta reforça a importância de o consumidor observar com mais cuidado a composição dos alimentos antes da compra, especialmente diante da ampla oferta de produtos industrializados com forte apelo visual.
A maioria dos produtos, para conseguirem ser mais atrativos, geralmente têm uma cor mais forte, principalmente quando se fala de criança. Tudo o que é colorido é mais atrativo. Por isso, hoje muitos ultraprocessados e industrializados têm muita cor, muito sabor e boa textura, por conta dos aditivos químicos. Grande parte desses alimentos com cores mais intensas utilizam aditivos artificiais, que deixam o gosto mais marcante, a cor mais vibrante e chamam mais a atenção do consumidor.
Esse efeito é resultado do uso combinado de corantes, conservantes, aromatizantes e realçadores de sabor, empregados para padronizar a aparência, prolongar a validade e intensificar o gosto dos alimentos. Os aditivos mais presentes são os corantes vermelho 40, caramelo, azul, enfim, os corantes artificiais, muito usados para dar cor e chamar a atenção. Há também os conservantes, como sorbato e benzoato de sódio, e os realçadores de sabor, como o glutamato monossódico.
Entre os conservantes mais comuns estão o nitrato de sódio, presente em carnes processadas como bacon, salsicha e salame, e o sorbato de potássio, utilizado em doces, coberturas, condimentos e carnes industrializadas. Também aparecem os sulfitos, encontrados em biscoitos, cereais, sucos engarrafados e embutidos, além de acetatos e ácido acético, empregados em produtos de panificação e refeições prontas.
Do ponto de vista nutricional, a gente perde a propriedade natural do alimento. Um açaí, por exemplo, que tem propriedade antioxidante, é uma fruta super rica, com uma gordura considerada boa, mas quando se mistura com xarope, corante e açúcar, acaba perdendo essas características.
Outro ponto importante é a dificuldade de identificação desses aditivos nos rótulos. A rotulagem aqui no Brasil ainda é muito fraca em relação a esses aditivos. Hoje, temos a lupa que indica alto teor de sódio, gordura ou açúcar, mas não especifica de fato os corantes, os aditivos e os realçadores de sabor. O consumidor precisa estar mais informado, entender os ingredientes, a composição do alimento que está sendo comprado e procurar decifrar esses nomes.
Deixo três dicas que podem ajudar no momento da compra:
• Observe as cores, tons muito vibrantes e padronizados costumam indicar o uso de corantes artificiais;
• Leia a lista de ingredientes, uma vez que a rotulagem frontal não detalha aditivos. É ali que aparecem corantes, conservantes e realçadores de sabor;
• Priorize alimentos naturais ou minimamente processados, que reduzem a exposição frequente a aditivos artificiais.
*Cynthia Howlett é nutricionista, especializada em nutrição esportiva e coordenadora de Projetos Educacionais e Sustentáveis da Sanutrin
Sobre a Sanutrin
A Sanutrin é especializada em refeições para estudantes, promovendo hábitos alimentares saudáveis e escolhas conscientes desde a infância, e está presente hoje em mais de 45 escolas de São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro. Sua atuação se baseia nos pilares da qualidade e segurança alimentar, soluções inovadoras e customizadas, atendimento individualizado e acolhedor e educação alimentar e sustentabilidade.







