A economia circular vem ganhando espaço nas estratégias de sustentabilidade das empresas e no debate sobre o futuro do consumo. No entanto, uma pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que, embora os brasileiros apoiem práticas mais sustentáveis em teoria, ainda demonstram resistência quando precisam transformar esse apoio em decisões de compra.
Segundo o levantamento, 72% da população avalia positivamente empresas que investem em sustentabilidade. Apesar disso, 43% afirmam que evitam comprar produtos reciclados, independentemente do preço. Entre os principais motivos estão a preferência por produtos novos (34%) e dúvidas sobre a durabilidade e a qualidade dos itens produzidos a partir de materiais reaproveitados (30%).
Os dados foram apresentados durante o evento Liderança Empresarial pelo Futuro do Clima | COP31, promovido pela CNI na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). O encontro reuniu representantes da indústria, governo e setor financeiro para discutir propostas voltadas à agenda climática e à transição para modelos de produção mais sustentáveis.
Na prática, a pesquisa revela um desafio importante para empresas que apostam na circularidade. Embora os consumidores reconheçam a importância da reciclagem, da reutilização de recursos e da redução de resíduos, ainda existe desconfiança em relação a produtos desenvolvidos a partir de materiais reciclados ou reaproveitados.
Esse comportamento pode ser observado em diferentes categorias de consumo. Muitos consumidores defendem a redução do impacto ambiental, mas ainda optam por produtos convencionais em vez de alternativas produzidas com materiais reciclados. O mesmo ocorre com embalagens sustentáveis, que frequentemente enfrentam questionamentos sobre resistência, segurança e desempenho.
Para Davi Bomtempo, superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, os resultados mostram que a transição para uma economia circular depende não apenas da oferta de soluções sustentáveis, mas também da construção de confiança junto ao consumidor.
“Existe interesse da sociedade por práticas mais sustentáveis, mas ainda há barreiras relacionadas à informação, percepção de qualidade e acesso. Isso reforça a necessidade de ampliarmos o debate sobre economia circular e criarmos condições para que escolhas mais sustentáveis façam parte do cotidiano dos brasileiros”, afirma.
Oportunidades para o foodservice
No setor de alimentação fora do lar, a economia circular vem ganhando relevância por meio de iniciativas voltadas à redução do desperdício de alimentos, reciclagem de embalagens, reaproveitamento de resíduos e uso de materiais de menor impacto ambiental.
No entanto, a pesquisa sugere que a adoção dessas práticas deve ser acompanhada por estratégias de comunicação capazes de demonstrar benefícios concretos ao consumidor. Transparência, certificações e informações sobre qualidade e segurança podem ajudar a reduzir barreiras e aumentar a aceitação de soluções sustentáveis.
Economia circular exige transformação sistêmica
A CNI destaca que o avanço da economia circular depende de uma transformação ampla, envolvendo consumidores, empresas e poder público. Segundo a entidade, é necessário fortalecer políticas públicas, ampliar a infraestrutura para reciclagem e criar incentivos que favoreçam modelos de produção e consumo mais sustentáveis.
Nesse contexto, a confederação defende a aprovação do Projeto de Lei 1.874/2022, que propõe a criação da Política Nacional de Economia Circular (PNEC). A expectativa é que a medida estimule investimentos, fortaleça a competitividade da indústria brasileira e contribua para a expansão de práticas circulares em diferentes setores da economia.







