O que antes era um detalhe pontual virou estratégia: bares, cafés e restaurantes estão transformando sua identidade em produtos que circulam fora do salão — e ganham espaço no dia a dia dos clientes.
No Rio de Janeiro, esse movimento vem ganhando força com casas que apostam em roupas, acessórios e objetos autorais como extensão da experiência gastronômica. A lógica não é necessariamente aumentar o faturamento direto, mas fortalecer marca, gerar conexão e permanecer presente na rotina do consumidor.
Um exemplo é o Empório Jardim, que viu um item inusitado virar desejo entre os clientes: o “croissito”, um croissant de pelúcia. Ao lado dele, camisetas, bonés e utensílios com frases e identidade própria ajudam a traduzir o posicionamento da marca para além do consumo no local. A estratégia reforça o vínculo emocional e amplia o reconhecimento — inclusive fora do país.
Esse tipo de iniciativa já é consolidado em mercados internacionais. Bares e restaurantes de referência, como o Dante (Nova York), incorporam o merchandising como parte da experiência. No Brasil, casas como o Libô seguem essa linha ao investir em collabs com artistas para criar peças alinhadas ao universo do vinho, conectando estética, produto e público.
Mais do que produtos, o movimento revela uma mudança mais profunda: o foodservice se posicionando como plataforma cultural. No Yayá Comidaria, por exemplo, a proposta vai além da comida e chega a fragrâncias inspiradas nas raízes do restaurante. Já o Suru Bar transforma elementos visuais da casa — como estampas e frases — em camisetas que carregam seu manifesto.
Há também um aspecto estratégico importante: esses itens funcionam como mídia orgânica. Uma camiseta ou boné circulando na cidade (ou no exterior) amplia o alcance da marca de forma espontânea, algo difícil de replicar apenas com campanhas tradicionais.
Outro ponto relevante é o potencial de diferenciação. Em um mercado competitivo, produtos próprios ajudam a construir identidade e criar novas formas de monetização indireta — seja aumentando o ticket médio, seja reforçando fidelização.
O movimento também dialoga com tendências globais. Restaurantes como o Carbone, nos Estados Unidos, já operam com linhas completas de vestuário. Outros, como o La Colombe (África do Sul) e o Hisa Franko (Eslovênia), investem em objetos e peças artesanais que traduzem o território e a proposta gastronômica.
No fim, a lógica é simples: o cliente não leva só a memória da refeição — leva um pedaço da experiência.
Para o setor, o recado é claro: marca não se constrói apenas no prato. E quem conseguir traduzir sua essência em outros formatos pode ganhar relevância, visibilidade e conexão em um novo nível.
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Fonte: Veja Rio







