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Restaurantes apostam na proteína para atrair consumidores

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A busca por alimentos ricos em proteína está ganhando força, e os restaurantes estão surfando nesta onda para atrair clientes dispostos a pagar mais por refeições e bebidas que ofereçam benefícios extras para a saúde. Em um cenário onde muitos consumidores estão economizando, as redes de restaurantes têm visto nas proteínas uma forma de diferenciar seus cardápios e agradar a um público crescente interessado em manter ou ganhar massa muscular, além de se sentir mais saciado após as refeições.

Tendências como a dieta cetogênica, que já foram populares, estão dando lugar a dietas mais focadas na ingestão de proteínas. A demanda está sendo impulsionada, especialmente entre as gerações mais jovens, como a Geração Z e os Millennials, que são mais conscientes sobre saúde e bem-estar. As redes sociais desempenham um papel importante, constantemente reforçando a mensagem de que consumir proteínas ajuda a ganhar músculos e melhorar o desempenho físico.

Segundo dados da Datassential, cerca de um terço dos consumidores disse que prefere alimentos com alto teor de proteína, um número que cresceu de 24% há três anos. Essa tendência também se reflete nas prateleiras dos supermercados, com produtos como waffles e pipoca proteica ganhando popularidade. Nos restaurantes, o foco está em criar opções premium, que incentivem os clientes a gastar mais.

Exemplo disso é a Starbucks, que anunciou em julho o lançamento de uma espuma gelada com 15 gramas de proteína, que será oferecida como um upgrade nas bebidas. A estratégia surge em um momento em que as vendas da rede nos EUA caíram, à medida que consumidores preferem preparar seu café em casa ou buscam opções mais inovadoras. Já a concorrente Dutch Bros foi além, oferecendo um café proteico e vendo um aumento significativo nas vendas.

O perfil do consumidor também está mudando. Jared Hutkowski, um diretor de corretora de 42 anos, que malha regularmente e se preocupa com sua ingestão de proteína, é um exemplo do público-alvo que os restaurantes buscam alcançar. Ele prefere opções com proteína quando come fora, mas não abre mão do que está com vontade de comer no momento.

Os dados também mostram um crescimento expressivo da proteína nos cardápios. Em 2021, apenas 11,5% dos menus destacavam a proteína, mas esse número já ultrapassou 28% em 2025. A previsão é de que, até 2029, mais de 40% dos restaurantes tenham opções com destaque para proteína.

Além disso, os restaurantes fast-casual, como a Sweetgreen, têm se mostrado os mais propensos a incluir a proteína como destaque, oferecendo opções como pratos proteicos para os clientes que buscam uma alimentação mais balanceada. A tendência também está influenciando o lançamento de novos produtos. A Smoothie King, por exemplo, lançou um menu voltado para consumidores que utilizam medicamentos GLP-1, que auxiliam na perda de peso e podem reduzir a massa muscular, tornando a proteína ainda mais necessária.

Alguns restaurantes estão aproveitando pratos já existentes no menu e destacando seu conteúdo de proteína, como o Panda Express, que lançou a linha “protein plates”, e o Chipotle, que optou pelos “lifestyle bowls” com opções de proteína dobrada.

Para os restaurantes, se adaptar a essa demanda por mais proteína pode ser uma estratégia inteligente para aumentar a relevância do seu cardápio, ao mesmo tempo em que atende às necessidades de um público crescente, cada vez mais atento à sua saúde e bem-estar.

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