Você pediria um milk-shake preparado por um braço robótico e entregue sem contato humano? Essa é a provocação — e também a experiência — que a nova loja do Bob’s, em Ipanema (RJ), está trazendo para o foodservice brasileiro.
A unidade inaugurada em julho tem um modelo 100% digital. Nada de balcão, atendente ou fila. Os pedidos são feitos pelo celular e retirados em lockers automáticos, onde o nome do cliente aparece em um visor assim que o pedido está pronto. O grande atrativo é o robô preparador de milk-shake, que pode ser visto em ação por uma vitrine. Sim, você assiste o milk-shake crocante sendo batido e servido por uma máquina autônoma.
Uma loja-conceito que mira o futuro
Com investimento de R$ 800 mil e 123 m², a loja é uma espécie de laboratório da holding BFCC (controladora de Bob’s, Pizza Hut, Yoggi e KFC no Brasil). A proposta é testar uma operação sem contato humano direto, focada em conveniência, automação e eficiência.
O projeto foi desenvolvido com a empresa Clique Retire, responsável pelos lockers inteligentes que armazenam os pedidos. São 11 compartimentos automatizados que funcionam como ponto de retirada dos lanches. Na prática, a loja opera com cerca de 20 funcionários dedicados apenas à cozinha — tudo o mais é digital.
Expansão ousada e metas ambiciosas
Segundo Ricardo Bomeny, CEO da BFCC, a holding projeta um salto no número de lojas: das atuais 1.060 para 2 mil até 2028. O Bob’s sozinho espera faturar R$ 1,5 bilhão em 2024 e alcançar R$ 1,8 bilhão até 2028. O modelo de loja digital poderá ser replicado em novos pontos nos próximos anos, especialmente em locais de alto fluxo urbano.
Além disso, o grupo também vem modernizando suas unidades em supermercados, com lojas menores e cardápio mais enxuto. A estratégia é clara: tornar a marca mais ágil, tecnológica e sintonizada com os novos hábitos de consumo.
Por que isso importa para o foodservice?
A loja de Ipanema mostra como o digital e o automatizado estão deixando de ser “futurismo” e se tornando realidade no serviço alimentar brasileiro. Não se trata apenas de um robô curioso — é uma mudança na lógica operacional do atendimento. A inspiração vem de redes internacionais como Krispy Kreme, que usam vitrines robóticas para encantar o consumidor com o preparo visível dos produtos.
Mais do que inovação pelo espetáculo, o que está em jogo aqui é a eficiência, a redução de custos com equipe de atendimento e a capacidade de oferecer uma experiência diferenciada, especialmente para um público cada vez mais conectado e autônomo.
Fonte: O Globo







