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Nova tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros preocupa setor de açaí

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O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a aplicação de uma tarifa de 50% para produtos brasileiros tem gerado apreensão entre empresas que processam e exportam açaí. O país norte-americano é hoje o principal destino das exportações brasileiras do fruto e seus derivados, o que amplia o impacto da medida para o setor.

Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em 2024 o comércio internacional de polpa de açaí movimentou US$ 464.467 — o equivalente a R$ 2,6 milhões — com um volume de 89,3 toneladas. Até junho deste ano, o total exportado já chegava a 34 toneladas, avaliadas em US$ 219.573 (R$ 1,22 milhão). Esses números, no entanto, consideram apenas a polpa e não incluem produtos prontos, como sorvetes ou misturas. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) não dispõe de dados consolidados para todo o conjunto de produtos à base de açaí exportados aos EUA.

Grandes players brasileiros no radar

O Brasil é o único produtor mundial do fruto e abriga marcas com presença global. Entre elas, destaca-se a Oakberry, que opera 900 franquias em 45 países e já conta com 50 unidades nos Estados Unidos — número que, segundo projeções divulgadas pelo Valor Econômico em maio, pode chegar a 70 até o fim do ano. Além das lojas próprias, seus produtos também estão presentes em 500 unidades da rede de supermercados Sprouts Farmers Market, no Arizona. Toda a operação internacional da marca é abastecida por sua fábrica em Belém (PA). Em 2024, o faturamento da Oakberry foi de R$ 1 bilhão, e a expectativa era que o mercado norte-americano respondesse por 20% dessa receita em 2025. Procurada pela reportagem, a empresa preferiu não comentar o impacto da nova tarifa.

Outra gigante do setor é a Frooty, líder no mercado brasileiro de açaí com mais de 40% de participação. Nos Estados Unidos, a marca responde por 30% de sua receita com exportações. O CEO Fabio Carvalho afirma que a empresa acompanha de perto as negociações e aguarda um possível recuo dos EUA em relação à taxa. Caso a tarifa se mantenha, ele prevê que o custo seja repassado ao consumidor.

“Estamos acompanhando de perto as notícias e movimentações de mercado. Já avaliamos alguns cenários, mas nesse momento aguardamos um acordo que seja viável para as comercializações”, afirma o executivo.

Atualmente, a Frooty exporta para os Estados Unidos produtos como sorbets, cremes, polpa e insumos do fruto para industrialização. Entre os clientes estão a Makai, marca adquirida pela Frooty que atua no food service norte-americano, e empresas que trabalham com marca própria. O volume total exportado pela companhia supera 200 contêineres por ano.

Para ler a matéria completa publicada pela PEGN, clique aqui.

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