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Panificação no Brasil: crescimento moderado e desafios à vista

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Conteúdo originalmente publicado pela Mercado&Consumo

O setor de panificação brasileiro deve movimentar cerca de R$ 160 bilhões em 2025, segundo estimativa da Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip). O resultado representa um crescimento nominal de 6% — menor que os 10,9% registrados no ano passado — e confirma tanto a relevância econômica das padarias quanto as dificuldades enfrentadas pelos empresários.

Um levantamento da consultoria Equus mostra que 26,6% dos estabelecimentos de comércio varejista de laticínios e frios — que incluem padarias e empórios — fecharam as portas entre dezembro de 2022 e 2024. Isso equivale a 7,7 mil negócios a menos no período, sendo que 98% eram microempresas.

Outro dado que chama atenção: quase 20% desses negócios encerraram suas atividades com menos de dois anos de funcionamento. A consultoria aponta fatores como aumento da informalidade, pressão do grande varejo em regiões periféricas e dificuldades operacionais e de gestão como principais causas.

Dois retratos do mesmo mercado

Os números da Equus consideram empresas classificadas no CNAE 4721-1/03 (comércio varejista de laticínios e frios), somando 29,9 mil estabelecimentos. Já a Abip, que utiliza um conjunto mais amplo de CNAEs ligados à panificação e confeitaria, contabilizou 106,9 mil padarias e empórios em 2024, frente a 90,2 mil no ano anterior. Para 2025, ainda não há nova projeção.

A Abip também estima que 47,5 milhões de brasileiros — o equivalente a 22,1% da população — frequentem padarias diariamente.

O impacto no pequeno operador

Para o Instituto Foodservice Brasil (IFB), mesmo que os dados da Equus abranjam apenas o varejo de laticínios, eles refletem um cenário mais amplo, que afeta diretamente pequenos operadores, como padarias de bairro.

Segundo o IFB, a alimentação fora do lar enfrenta pressões inflacionárias persistentes, e categorias como laticínios e frios sofrem mais, pois os custos de produção e logística são altamente sensíveis a variações cambiais, aumento de insumos e energia elétrica. Além disso, a falta de acesso a ferramentas modernas de gestão de compras e estoque limita a capacidade de adaptação desses negócios.

Outro ponto de atenção é a concorrência com a informalidade: operadores autônomos conseguem oferecer produtos similares com custos menores, enquanto o crescimento das vendas diretas via plataformas digitais e marketplaces reforça a pressão sobre os varejistas tradicionais.

Caminhos para reverter a tendência

Apesar do cenário desafiador, o IFB acredita que existem estratégias capazes de fortalecer o setor:

  • Digitalização de processos para otimizar gestão e vendas.
  • Parcerias com fornecedores para uma curadoria de sortimento mais inteligente.
  • Práticas sustentáveis e produtos de maior valor agregado para diferenciar a oferta.
  • Políticas públicas que reduzam a informalidade e ampliem o acesso a crédito e apoio técnico.

A pesquisa da Equus ainda indica um movimento de consolidação do mercado, com grandes empresas expandindo sua presença em áreas menos exploradas — o que pode abrir espaço para fusões e aquisições no setor.

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