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Kraft Heinz anuncia cisão e aposta em foco estratégico

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A separação nunca é simples, mas para a Kraft Heinz pode ser o passo necessário diante dos desafios acumulados desde sua criação, em 2015.

Nos últimos anos, a empresa viu suas vendas caírem à medida que os consumidores passaram a buscar alimentos mais saudáveis e menos processados. A pressão se intensificou com a inflação e, mais recentemente, com a popularização dos medicamentos GLP-1, que reduziram tanto o consumo quanto o gasto com comida.

Em 2019, a companhia já havia registrado uma baixa contábil de US$ 15,4 bilhões em marcas icônicas como Kraft e Oscar Mayer. Desde a fusão, as ações acumulam queda de cerca de 60%.

Por que a cisão?

Segundo a empresa, a divisão permitirá reduzir a complexidade e aumentar o foco de cada frente de negócio. Hoje, a Kraft Heinz gerencia quase 200 marcas em 55 categorias e 150 países, o que, de acordo com o CEO Carlos Abrams-Rivera, limita a capacidade de investir de forma eficiente.

A separação criará duas companhias: uma com molhos, temperos e pastas — de crescimento mais acelerado — e outra com alimentos mais tradicionais, que avançam em ritmo mais lento.

“O nível de complexidade atual dificulta a alocação de capital e a priorização de iniciativas. Com a divisão, poderemos dedicar recursos e atenção adequados a cada marca, liberando valor de longo prazo”, destacou Miguel Patricio, presidente do conselho.


Desafios pela frente

Mesmo separadas, as novas empresas continuarão enfrentando os ventos contrários que pesam sobre todo o setor. Entre eles, a pressão crescente de órgãos reguladores, como a exigência do Secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., para reduzir aditivos artificiais e tornar os produtos mais saudáveis.

Por isso, inovação e alinhamento às novas demandas de consumo devem permanecer no centro da estratégia.


Uma tendência no setor

O movimento segue uma onda de fragmentação no mercado de alimentos e bebidas. A Kellogg já se dividiu em duas empresas em 2023 e, recentemente, a Keurig Dr Pepper anunciou planos semelhantes após a compra da JDE Peet.

A cisão da Kraft Heinz está prevista para o segundo semestre de 2026.


Reações do mercado

Nem todos receberam a notícia de forma positiva. O investidor bilionário Warren Buffett, que foi um dos idealizadores da fusão entre Kraft e Heinz, declarou à CNBC estar decepcionado com a decisão. Sua empresa, a Berkshire Hathaway, é a maior acionista, com 27,5% de participação.

Após o anúncio, as ações da Kraft Heinz recuaram 5% no pregão de terça-feira.



Fonte: Food Dive

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