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Da casca de banana ao fungo: o novo luxo sustentável da moda

Foto: Brazil News

No SPFW N60, o que brilha nas passarelas vai além dos tecidos e cortes. A revolução dos biomateriais – que transforma resíduos naturais em tecidos inovadores – vem ganhando força e desafiando o reinado do couro animal. De folhas a fungos, marcas nacionais e internacionais mostram que é possível unir estilo, ética e inovação sem abrir mão do desejo.

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Quando o luxo encontra a natureza

Entre os nomes que lideram esse movimento estão marcas como Sentèz, que criou o Biocuero a partir da casca de banana, e a brasileira beLEAF, que usa a planta orelha-de-elefante em seu couro vegetal. Esses materiais, além de biodegradáveis, têm performance semelhante ao couro tradicional e podem receber acabamentos variados — do fosco ao brilho.

“Não estamos tentando parecer o couro bovino, mas abraçar a cara natural da folha”, explica André de Castro, diretor de marketing da beLEAF.

A empresa já firmou parcerias com Loewe, Christian Louboutin, Misci e Lenny Niemeyer, e trabalha para eliminar completamente o uso de poliuretano, tornando o produto 100% vegetal.


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Design regenerativo e identidade brasileira

O pernambucano Marlu Fonseca, da marca Leoniê, representa o Brasil nessa nova estética do luxo sustentável. Suas criações combinam couro de cacto da Desserto, borracha amazônica e fibras naturais em peças modulares e rastreáveis. O objetivo é mostrar que o luxo também pode ser um ato de regeneração.

“O couro vegetal ainda pode ser até três vezes mais caro, mas esse custo representa investimento em futuro, não um obstáculo”, defende Fonseca.

Cada peça da Leoniê carrega informações sobre emissões, origem e impacto social, reforçando o compromisso com uma moda mais consciente.

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Sustentável até que ponto?

Apesar do entusiasmo, especialistas alertam que nem todo material “verde” é realmente sustentável. Para Claudia Castanheira, do Instituto Fashion Revolution Brasil, é preciso olhar para o ciclo completo de produção — do cultivo à compostagem.

“Sem uma visão completa, corremos o risco de apenas trocar a matéria-prima, mantendo os mesmos padrões de superprodução e exploração”, afirma.

Alguns biomateriais ainda dependem de polímeros sintéticos para garantir durabilidade. Entre eles estão o Piñatex (feito de folhas de abacaxi), o Tômtex (feito de borra de café e quitina de crustáceos) e o Mylo, derivado de fungos, usado por Hermès e Stella McCartney em produções limitadas.

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O futuro do luxo é circular

O verdadeiro avanço, segundo Castanheira, está em repensar o ritmo de consumo. Não basta mudar o material — é preciso transformar os modelos de negócio, priorizando transparência, circularidade e menor impacto ambiental.

Mesmo com desafios logísticos e de escala, os novos biomateriais representam uma transição importante para a moda. O luxo do futuro, como resume Fonseca, será aquele que preserva, não o que destrói.

“A imperfeição natural pode se tornar a nova estética do luxo. O verdadeiro luxo será o que respeita o tempo da natureza.”


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Fonte: G Show / Globo

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