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Mercado global de lácteos inicia 2026 sob pressão, com impactos também no Brasil

Foto: Philippe Lima/Divulgação

O mercado internacional de lácteos deve começar 2026 em um cenário de baixa, marcado por alta oferta, demanda enfraquecida e margens reduzidas — um movimento que também influencia o setor no Brasil. A análise é da consultoria StoneX, que aponta o excesso de produção em grandes exportadores, como Estados Unidos, União Europeia e Argentina, como principal fator de pressão sobre os preços globais.

No contexto brasileiro, as importações representam cerca de 13% do consumo nacional, mas ainda exercem influência na formação dos preços internos. Segundo Marianne Tufani, consultora de Gestão de Riscos em Laticínios da StoneX, essas importações atuam como um “fator marginal” no equilíbrio do mercado.

“Quando os preços internacionais sobem, importar fica caro e os preços internos tendem a acompanhar. Quando caem, há maior entrada de importados, reduzindo a demanda pelo produto nacional e pressionando os valores internos”, explica Tufani.

Ela ressalta que a baixa elasticidade da demanda no setor lácteo amplifica esse efeito: pequenas variações no consumo podem gerar grandes oscilações nos preços.

Produção em queda de atratividade

Do lado dos produtores, o momento é de margens apertadas. A relação de troca entre o litro de leite e a arroba da vaca gorda está desfavorável, principalmente em São Paulo e Goiás, o que tem levado parte dos pecuaristas a considerar a migração para outras atividades mais rentáveis.

Apesar do cenário desafiador, a StoneX projeta uma recuperação parcial das margens no início de 2026, impulsionada pela redução de custos — especialmente com a alimentação animal — e não por uma valorização expressiva do leite.

Milho mais barato ajuda, mas clima ainda preocupa

A colheita recorde de milho no Brasil e o ritmo lento de comercialização têm contribuído para conter os custos de nutrição animal, oferecendo algum alívio aos produtores. Ainda assim, o risco climático segue no radar.

“Se o fenômeno La Niña se intensificar, poderemos enfrentar estiagens no Sul, o que mudaria completamente o quadro”, alerta Tufani.

Consumo limitado por endividamento das famílias

No consumo interno, o recuo da inflação de alimentos por quatro meses consecutivos é um fator positivo, favorecendo a compra de lácteos. No entanto, o alto endividamento das famílias — que chega a 60% em algumas regiões — ainda restringe o avanço da demanda, sobretudo por produtos de maior valor agregado.

“Há um impulso natural nas vendas de fim de ano, com o 13º salário e as festividades, mas a sustentabilidade desse consumo depende da confiança do consumidor e do cenário macroeconômico”, observa a consultora.

Perspectiva segue negativa até o 1º trimestre de 2026

Mesmo com possíveis fatores de sustentação, como a redução das margens dos produtores argentinos e o aumento da paridade de importação, o consenso entre analistas da StoneX é que o viés de baixa deve prevalecer até o primeiro trimestre de 2026, mantendo o mercado global e brasileiro sob influência da oferta elevada.


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Fonte: Globo Rural

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