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Ambev transforma o Brasil em laboratório global para bebidas além da cerveja

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A multinacional AB InBev tem na inovação um de seus principais motores de crescimento — e, dentro desse processo, o Brasil vem ganhando protagonismo. Reportagem do Estadão, assinada por Igor Ribeiro, mostra como a Ambev se tornou um hub global de testes e desenvolvimento para categorias que vão muito além da cerveja tradicional.

Entre os lançamentos recentes estão o Guaraná Antarctica Zero com fibras, o Fusion com proteínas, o spritzer Brutal Fruit e a cerveja saborizada Flying Fish, que acaba de chegar a São Paulo após início de vendas no Sul do País. Todos fazem parte da unidade de negócios Beyond Beer, que engloba refrigerantes, isotônicos, energéticos, chás, drinks prontos e outras bebidas funcionais.

O Brasil como território de testes

Segundo Daniela Cachich, presidente da Beyond Beer, o País tem sido estratégico para validar novos conceitos de produto:

“Estamos sendo usados como um País para testar inovações e colocar na rua para trazer conhecimento para a companhia como um todo”, destacou a executiva ao Estadão.

Um exemplo dessa expansão internacional é Beats, que passou a ser comercializada nos Estados Unidos em 2025.

A companhia enxerga o potencial dessa frente: cerca de 80% do volume alcoólico do portfólio Beyond Beer é incremental para a Ambev, o que revela um mercado em plena expansão.

A força das bebidas funcionais

Embora as bebidas alcoólicas sigam com alta relevância, o movimento mais forte da empresa hoje está nas bebidas funcionais — categorias que adicionam nutrientes e benefícios ao consumo diário, alinhadas ao comportamento de parte dos consumidores brasileiros.

Dados da Euromonitor citados pelo Estadão reforçam essa tendência:

  • bebidas funcionais já superam R$ 1 bilhão em movimentação anual no Brasil;
  • alimentos funcionais (como snacks proteicos) geram o dobro desse valor.

Grande parte das pesquisas e testes da Ambev ocorre no centro de inovação instalado desde 2018 no Parque Tecnológico da UFRJ.

Como surgem as inovações

A reportagem destaca como o desenvolvimento do Guaraná Zero com fibras começou a partir do sucesso do relançamento da versão Zero, que teve crescimento de 51% nas vendas em 2024 após mudanças na fórmula.

Conversas com consumidores e análise de hábitos alimentares revelaram oportunidades ligadas ao déficit diário de fibras e proteínas na dieta média brasileira. A lógica foi:

  • se o consumidor já toma Guaraná Zero com frequência,
  • por que não adicionar um benefício funcional àquilo que ele já consome?

O mesmo raciocínio guiou o desenvolvimento do Fusion com proteínas e zero carboidrato, pensado para um público que busca energia, mas também performance — sem os carboidratos presentes em opções concorrentes.

Ciclos de desenvolvimento mais rápidos

A Ambev acelerou seu ciclo de criação: segundo Cachich, o tempo para lançar um produto pode ser até 50% menor que há cinco anos.

  • Inovações complexas, como Guaraná com fibras, levam cerca de um ano.
  • Novos sabores de Beats podem ficar prontos em menos de seis meses.

Plataformas próprias, como o Zé Delivery, são essenciais para esse processo. Somente em 2024, a Ambev coletou mais de seis milhões de respostas de consumidores via aplicativo, com 500 mil pessoas participando de pesquisas.

Esse monitoramento orienta ajustes de sabor, embalagem e até mudanças no calendário de expansão — como ocorreu com Flying Fish, que chegou a São Paulo antes do previsto após boa performance no Sul.

Premiumização e novas categorias

Dentro da estratégia de portfólio, a empresa também aposta em produtos premium. O spritzer Brutal Fruit apresentou resultados animadores e já abriu caminho para uma segunda marca premium prevista para o Carnaval de 2026.

Ao mesmo tempo, Beats segue com sua tradição de lançar novos sabores nesse período.

Para Cachich, o marketing tem papel crucial na criação de novas categorias e na educação do consumidor:

“Temos que proporcionar ao consumidor o porquê aquilo é interessante, como gerar desejo por inovação.”

A executiva destaca que o time trabalha intensamente para que 2026 comece com um pipeline robusto de lançamentos.

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Matéria originalmente publicada pelo Estadão (por Igor Ribeiro)

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