O mercado global de bebidas enriquecidas com vitaminas, fibras e proteínas está deixando de ser nicho e se consolidando como uma das principais apostas das grandes empresas de alimentos e bebidas. Segundo dados citados por O Globo, o segmento deve saltar de US$ 143 bilhões para US$ 238 bilhões até 2033, impulsionado por consumidores cada vez mais atentos à relação entre alimentação e saúde.
A tendência reflete uma mudança acelerada desde a pandemia, quando a busca por produtos voltados ao bem-estar ganhou força. Hoje, itens funcionais não estão mais restritos a lojas de suplementos ou academias: ocupam espaço crescente nas gôndolas dos supermercados e mobilizam investimentos bilionários em pesquisa e desenvolvimento.
Gigantes avançam no mercado funcional
A Ambev lançou recentemente duas novidades: Guaraná Antarctica Zero com fibras e um energético com proteínas da linha Fusion, ambos desenvolvidos em estruturas de inovação como o CIT (Centro de Inovação e Tecnologia). A estratégia mira um consumidor que deseja benefícios extras sem abrir mão de sabor — um desafio técnico que exige grandes investimentos. Só nos últimos dez anos, a Ambev aplicou quase R$ 10 bilhões em novas tecnologias.
Outras empresas seguem caminho parecido. A Coca-Cola estreou nos EUA sua linha de refrigerantes prebióticos Simply Pop, focada em saúde intestinal. A Pepsi prepara o lançamento de um refrigerante prebiótico considerado sua maior inovação em duas décadas. Entre as brasileiras, a Piracanjuba e a Verde Campo ampliam portfólios com bebidas enriquecidas, proteicos e probióticos voltados a quem busca conveniência nutricional.
Segundo estimativas do Euromonitor citadas na matéria, as bebidas funcionais já movimentam pouco mais de R$ 1 bilhão ao ano no Brasil, enquanto alimentos funcionais com proteína giram outros R$ 2 bilhões.
Inovação também vem das foodtechs
O movimento abre espaço para startups de alimentos. A catarinense Pod criou o primeiro refrigerante prebiótico brasileiro, o Poddi, produzido sem conservantes e adoçado apenas com açúcares naturais das frutas. Já a paulista Wondr desenvolveu uma versão prebiótica de morango e maracujá, também com foco em ingredientes naturais.
Essas marcas crescem apoiadas no comportamento de um consumidor que se informa pelas redes sociais e procura opções mais saudáveis, mesmo dentro de categorias tradicionalmente associadas ao indulgente, como refrigerantes.
Saúde, rotulagem e moderação
Mesmo com ingredientes funcionais, nutricionistas reforçam que esses produtos continuam sendo industrializados e devem ser consumidos com equilíbrio. A especialista Priscilla Primi lembra que fibras, antioxidantes e vitaminas presentes em bebidas funcionais são facilmente encontradas em alimentos naturais como frutas, legumes, azeite e aveia.
Ela sugere atenção aos rótulos e à nova rotulagem frontal da Anvisa, que indica excesso de açúcar adicionado, sódio ou gordura saturada. Para ela, uma boa referência é priorizar uma alimentação majoritariamente composta por itens minimamente processados e reservar espaço moderado aos funcionais.
O que isso significa para o foodservice
O avanço das bebidas funcionais já movimenta supermercados, indústrias e startups — e abre oportunidades para operadores do foodservice ampliarem opções alinhadas ao desejo por saudabilidade. O tema também aparece com frequência no Portal Foodbiz, onde consumidores relatam maior disposição a pagar por produtos com benefícios claros, especialmente relacionados a digestão, energia e imunidade.
Com margens mais altas (entre 20% e 30%, segundo especialistas ouvidos por O Globo) e forte interesse do público, o segmento deve seguir em expansão no Brasil. Para marcas e operadores, o desafio é unir tecnologia, sabor e informação transparente para conquistar um consumidor cada vez mais exigente.
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Conteúdo adaptado de matéria publicada em O Globo







