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Tendências globais de food & drink para 2026: menos excesso, mais sentido

Depois de anos marcados por pandemia, crises climáticas, pressão econômica e mudanças aceleradas no consumo, a alimentação passa a cumprir um novo papel: ajudar as pessoas a aguentar o dia a dia com mais equilíbrio. É a partir desse contexto que a Mintel apresenta suas Previsões Globais de Food & Drink para 2026, olhando não só para o que comemos, mas para como a comida se conecta com emoções, cultura e rotina.

O foco sai da performance extrema e entra em cena uma alimentação mais diversa, sensorial e conectada com o passado — não por nostalgia vazia, mas por necessidade de segurança e pertencimento. A seguir, os principais movimentos que já começam a redesenhar o setor e devem ganhar força nos próximos anos.

1. Menos “maxxing”, mais diversidade no prato

A obsessão por maximizar um único nutriente — proteína, fibra, colágeno — começa a perder força. Em vez disso, cresce o interesse por dietas mais diversas e inclusivas, que valorizam a combinação de ingredientes, culturas alimentares e benefícios complementares.

Proteína e fibra seguem importantes, mas deixam de ser protagonistas solitárias. O consumidor passa a olhar para a alimentação como um conjunto mais amplo, buscando variedade ao longo da semana e experimentando novos grãos, legumes, sementes, algas e fontes alternativas.

Esse movimento também se conecta a valores culturais. A lógica de diversidade, equidade e inclusão (DEI) chega à nutrição, com dietas que fogem do prato tradicional “proteína + carboidrato + vegetal” e exploram misturas menos óbvias. Tecnologia e inteligência artificial entram como aliadas, ajudando a sugerir combinações e ampliar repertório alimentar.

Para marcas e operadores de foodservice, o recado é claro: menus, produtos e comunicações mais flexíveis, menos rígidos em claims únicos e mais abertos à diversidade de ingredientes e usos.

2. O passado como ferramenta de resiliência

Em um mundo instável, olhar para trás virou uma forma de seguir em frente. Técnicas tradicionais, receitas antigas e ingredientes ancestrais passam a representar confiança, simplicidade e controle — atributos cada vez mais valorizados.

Esse movimento, chamado de Retro Rejuvenation, não trata de romantizar o passado, mas de resgatar práticas que fazem sentido hoje: fermentação, conservação natural, sazonalidade, aproveitamento integral dos alimentos e formatos de longa duração, como conservas e congelados.

Sustentabilidade aqui aparece de forma prática, não discursiva. Aproveitar melhor os recursos deixa de ser apenas “upcycling” e passa a ser visto como ser resourceful: inteligente, eficiente e alinhado à realidade econômica e climática.

Até 2030, a expectativa é que cozinhar, estocar e adaptar receitas vire parte da estratégia doméstica de resiliência. Para as marcas, isso abre espaço para reposicionar produtos tradicionais, contar histórias de origem e reforçar a conexão entre cultura alimentar e bem-estar.

3. Experiências sensoriais com intenção

Depois de anos de exageros visuais e produtos criados apenas para viralizar, a inovação sensorial entra em uma nova fase. Textura, aroma, som e aparência passam a ser usados de forma mais intencional e funcional, criando experiências que acolhem, confortam e incluem.

A multissensorialidade deixa de ser só entretenimento e passa a atender necessidades reais: idosos que precisam de texturas mais macias, pessoas neurodivergentes sensíveis a cheiros e estímulos visuais, usuários de medicamentos como GLP-1 que comem menos, mas buscam satisfação emocional.

Nesse contexto, o conceito de comfort food evolui para algo mais próximo de food therapy. Snacks que aliviam o estresse, bebidas que acalmam, embalagens que despertam sensação de cuidado e rituais alimentares pensados para momentos de pausa ganham espaço, especialmente entre gerações mais jovens e consumidores urbanos.

A comida volta a ser uma experiência emocional, cotidiana e acessível — não um espetáculo, mas um apoio silencioso.

O que essas tendências dizem sobre o futuro do foodservice

As previsões da Mintel apontam para um consumidor menos interessado em promessas milagrosas e mais atento a soluções que façam sentido na vida real. Diversidade alimentar, conexão cultural e experiências sensoriais relevantes passam a caminhar juntas.

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