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Fim da patente da semaglutida pode baratear Ozempic

Créditos: Mario Tama/Getty Images

A partir desta semana, a semaglutida — princípio ativo de medicamentos como Ozempic, Wegovy e Rybelsus — deixa de ter proteção de patente no Brasil. Na prática, isso abre espaço para um movimento que costuma mexer bastante com o mercado: a entrada de genéricos e similares, com potencial de ampliar o acesso e reduzir preços.

Desenvolvida pela farmacêutica Novo Nordisk, a substância ganhou protagonismo global tanto no tratamento do diabetes tipo 2 quanto no combate à obesidade. Até então, a exclusividade de comercialização limitava a concorrência. Agora, outras empresas poderão produzir versões próprias, desde que aprovadas pela Anvisa.

Esse tipo de virada costuma ter impacto direto no bolso. Pela legislação brasileira, medicamentos genéricos precisam ser pelo menos 35% mais baratos que o produto de referência. Na prática, estudos mostram que essa diferença pode ser ainda maior: em média, genéricos chegam a custar 59% menos, enquanto similares ficam cerca de 15% abaixo.

Hoje, o alto custo dos medicamentos à base de semaglutida ainda é uma barreira relevante para muitos pacientes. Com mais fabricantes no mercado, a expectativa é de uma redução gradual nos preços nos próximos anos — o que pode ampliar significativamente o consumo e mudar o perfil de acesso a esse tipo de tratamento.

Além do impacto direto na saúde, o tema também tem reflexos importantes para o setor de foodservice e bem-estar, acompanhados de perto pelo Portal Foodbiz. A popularização de medicamentos voltados à perda de peso e controle metabólico vem influenciando hábitos alimentares, reduzindo consumo em determinadas categorias e impulsionando outras, especialmente aquelas associadas a saudabilidade.

A mudança também reacende uma discussão importante no setor público. Em 2025, a Conitec avaliou a inclusão da semaglutida e da liraglutida no SUS, mas rejeitou a proposta principalmente pelo alto custo — estimado em mais de R$ 8 bilhões, valor próximo ao dobro do orçamento anual do Farmácia Popular.

Com a possível queda de preços, esse cenário pode mudar. O Ministério da Saúde já sinalizou que solicitou prioridade à Anvisa na análise de novos registros desses medicamentos. A entrada de versões mais acessíveis pode influenciar futuras decisões sobre a incorporação desses tratamentos na rede pública.

À medida que esses medicamentos se tornam mais acessíveis, cresce a tendência de uma alimentação mais controlada em volume e mais seletiva em qualidade, o que pode impactar diretamente o mix de produtos, o tamanho das porções e as estratégias de oferta no foodservice.


Fonte: Gazeta do Paraná

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