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Novas proteínas ganham força e colocam o Brasil na liderança do mercado global

O Brasil começa a ganhar espaço na produção de proteínas por biotecnologia, com empresas nacionais migrando de plantas piloto para operações comerciais e ampliando sua presença em mercados internacionais. O segmento global pode movimentar cerca de US$ 290 bilhões até 2035, representando até 11% da oferta mundial de proteína, segundo estimativas da Boston Consulting Group. O crescimento é impulsionado pela necessidade de ampliar e tornar mais resiliente a matriz produtiva diante da volatilidade de commodities, eventos climáticos extremos e pressão por eficiência operacional.

Diferentemente das cadeias tradicionais, que dependem de ciclos longos e variáveis como clima e disponibilidade de terra, os bioprocessos operam em ambiente controlado, com maior previsibilidade de oferta e possibilidade de ganho de escala progressivo. No Brasil, essa mudança tecnológica permite que empresas nacionais se posicionem não apenas como fornecedores de proteína, mas como desenvolvedoras de ingredientes estratégicos para a indústria alimentícia.

Para Paulo Ibri, CEO da Typcal, primeira foodtech da América Latina a trabalhar com fermentação de micélio, o crescimento do setor responde a uma necessidade estratégica da indústria. “A cadeia global de alimentos enfrenta instabilidade climática, pressão regulatória e margens cada vez mais apertadas. Bioprocessos oferecem previsibilidade, rastreabilidade e ciclos produtivos mais curtos. Isso melhora a gestão de risco e o planejamento industrial”, explica o especialista.

Além da eficiência produtiva, 2026 consolida outro vetor relevante dentro do desenvolvimento de proteínas: a valorização de matrizes que entregam proteína com componentes funcionais, como fibras estruturais, capazes de melhorar textura, digestibilidade e perfil nutricional dos produtos. Essa abordagem permite que fabricantes ofereçam alimentos mais completos, mantendo o foco na proteína como ingrediente central.

“O mercado evoluiu do foco exclusivo em teor proteico para uma visão mais integrada de funcionalidade. Tecnologias de fermentação permitem entregar proteína com fibras estruturais incorporadas em um único ingrediente, o que simplifica formulações e agrega valor nutricional”, comenta Ibri.

No cenário nacional, a ampliação de capacidade industrial e os primeiros passos em internacionalização por empresas brasileiras indicam o amadurecimento do ecossistema. Para Ibri, a oportunidade vai além do crescimento de mercado.

“O Brasil tem um know-how agroindustrial gigantesco. Se conseguirmos estruturar inovação, regulação e capital, podemos nos tornar referência global em novas proteínas, entregando soluções que são ao mesmo tempo nutricionais, tecnológicas e economicamente eficientes. As foodtechs brasileiras têm um potencial enorme para liderar esse movimento e posicionar o país como protagonista no mercado internacional”, finaliza o CEO da Typcal.

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