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Como a NotCo está usando IA para resolver desafios reais da indústria de alimentos

A combinação entre tecnologia e alimentos ganhou um novo capítulo com a NotCo — e não por acaso a empresa vem atraindo investidores como Jeff Bezos e Roger Federer. Mais do que uma foodtech de produtos plant-based, a companhia tem se posicionado como uma parceira estratégica para grandes indústrias que enfrentam um cenário cada vez mais complexo.

Fundada pelo chileno Matias Muchnick, a NotCo desenvolveu uma plataforma de inteligência artificial capaz de reformular produtos alimentícios a partir de dados moleculares. Na prática, isso significa encontrar substituições de ingredientes que preservem sabor, textura e performance — algo especialmente relevante em um contexto de pressão de custos e instabilidade nas cadeias de suprimentos.

Um exemplo recente vem da Ferrero. Diante da alta do cacau em 2024, a companhia buscou a NotCo para explorar alternativas que reduzam a volatilidade sem comprometer a experiência do consumidor. A lógica é simples: pequenas mudanças em formulação podem gerar grandes impactos — e esse tipo de decisão deixou de ser intuitivo para se tornar computacional.

Hoje, a NotCo atua como uma espécie de “resolvedora de problemas” para grandes players. Em parceria com a Kraft Heinz, por exemplo, já desenvolveu dezenas de produtos, incluindo versões de itens clássicos como mac & cheese e salsichas.

O diferencial está na IA proprietária da empresa, chamada Giuseppe, que cruza dados de formulação, comportamento do consumidor e requisitos regulatórios para sugerir combinações que dificilmente seriam testadas por métodos tradicionais.

Dois negócios em um

A operação da NotCo está dividida em duas frentes:

  • B2B (IA e software): já lucrativa, com margens altas e crescimento acelerado
  • B2C (produtos próprios): usada como vitrine da tecnologia, com itens como leites vegetais, burgers e snacks

Os produtos da marca já estão presentes em mercados da América Latina, incluindo o Brasil, e também em redes como o Burger King.

Mas o foco mais relevante está no potencial da tecnologia para a indústria. Segundo estimativas, o mercado de IA aplicada ao processamento de alimentos pode saltar de US$ 15 bilhões para US$ 140 bilhões na próxima década — impulsionado pela busca por eficiência, redução de custos e adaptação às novas preferências do consumidor.

O que está por trás do interesse das grandes empresas

A pressão sobre a indústria de alimentos vem de vários lados:

  • aumento do custo de insumos (como cacau, suco de laranja e oleaginosas)
  • mudanças rápidas no comportamento do consumidor
  • necessidade de inovação mais ágil
  • margens cada vez mais comprimidas

Nesse contexto, soluções que conectam dados de P&D, marketing e supply chain ganham relevância. A proposta da NotCo é justamente integrar essas áreas por meio de um “sistema operacional” orientado por IA, capaz de apoiar decisões que antes dependiam exclusivamente de tentativa e erro.

Um novo modelo de inovação

A trajetória da empresa também reflete uma mudança maior na forma como a indústria pensa inovação. Se antes a formulação de alimentos era baseada principalmente na experiência técnica e na experimentação, agora passa a incorporar modelos computacionais capazes de analisar trilhões de combinações.

Para Muchnick, insistir apenas na intuição humana em um cenário de alta complexidade é como jogar xadrez vendado contra um computador.

Essa mudança de abordagem ajuda a explicar por que grandes empresas estão cada vez mais abertas a parcerias com foodtechs — não apenas para lançar novos produtos, mas para repensar toda a lógica de desenvolvimento.

Conteúdo Forbes adaptado para o portal Foodbiz

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