O avanço do fenôeno climático El Niño voltou a acender alertas sobre segurança alimentar e impactos na produção agrícola da América Latina. Organizações internacionais apontam que a intensificação do evento pode afetar culturas estratégicas para a região, pressionando preços e aumentando a vulnerabilidade alimentar em diferentes países.
Segundo projeções do Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos, existe mais de 80% de probabilidade de formação do El Niño entre maio e julho, com chances elevadas de que o fenômeno alcance forte intensidade até o fim do ano.
O cenário preocupa especialmente setores ligados à produção de alimentos básicos e commodities agrícolas. Entre as culturas mais expostas estão arroz, café, milho, feijão, soja, cacau e cana-de-açúcar, além da pecuária e das pastagens em determinadas regiões.
De acordo com organismos como FAO, FIDA e Programa Mundial de Alimentos (PMA), alterações no regime de chuvas, aumento das temperaturas e períodos prolongados de seca ou excesso de precipitação podem comprometer calendários agrícolas, reduzir produtividade e pressionar cadeias de abastecimento.
Na América Central, o chamado Corredor Seco aparece entre as áreas mais vulneráveis, especialmente pela dependência da agricultura familiar. Já na América do Sul, culturas como soja, café e arroz podem enfrentar impactos relevantes dependendo do comportamento climático nos próximos meses.
Além das perdas no campo, especialistas alertam para efeitos indiretos sobre preços dos alimentos e custo de vida. O aumento nos custos internacionais de fertilizantes, combustíveis e insumos agrícolas pode agravar ainda mais a pressão sobre consumidores e sistemas de abastecimento.
Segundo dados divulgados por agências da ONU, mais de 33 milhões de pessoas ainda enfrentam fome na América Latina, enquanto milhões vivem em situação de insegurança alimentar moderada ou grave. A região também concentra uma parcela significativa das perdas globais provocadas por desastres agrícolas relacionados ao clima.
Para entidades internacionais, o avanço de mecanismos de prevenção, seguros agrícolas, monitoramento climático e fortalecimento de sistemas de proteção social será fundamental para reduzir os impactos econômicos e humanitários do fenômeno.
Fonte: informações publicadas originalmente pela Bloomberg Línea







