O chocolate está no centro de uma transformação global. Secas, chuvas fora de época, ondas de calor e doenças nas lavouras vêm afetando a produção de cacau nas principais regiões produtoras do mundo, especialmente na África Ocidental.
Embora muitas marcas tenham avançado em sustentabilidade, rastreabilidade e combate ao desmatamento, isso já não basta. O desafio agora é outro: tornar a cadeia do cacau mais resiliente às mudanças climáticas.
Países como Costa do Marfim, Gana, Nigéria e Camarões podem perder até 50% das áreas adequadas ao cultivo de cacau até 2050. Isso pressiona produtores, encarece a commodity e mantém os preços do chocolate elevados para a indústria e para o consumidor.
O cacau é uma cultura altamente sensível. Ele depende de temperaturas estáveis, chuvas bem distribuídas e solos férteis. Quando há excesso de chuva, crescem os riscos de fungos e apodrecimento das vagens. Quando há seca e calor extremo, as plantas perdem produtividade e podem morrer.
Nos últimos anos, esse cenário se tornou mais frequente. Em 2023, enchentes afetaram lavouras na África Ocidental. Em 2024, secas agravadas pelo El Niño reduziram ainda mais a produção. Outros países produtores, como Indonésia, Peru e México, também enfrentaram eventos extremos entre 2024 e 2025.
As empresas do setor têm buscado respostas. Barry Callebaut e Cargill, por exemplo, usam tecnologias de rastreamento por GPS para monitorar a origem do cacau. A Tony’s Chocolonely aposta em remuneração mais justa aos produtores. A Nestlé mantém programas de incentivo à renda e à educação. Já a Mondelēz investe em embalagens mais sustentáveis.
Essas iniciativas ajudam a aumentar a transparência e a reduzir riscos sociais e ambientais. Mas não resolvem, sozinhas, a vulnerabilidade climática da cadeia.
Grande parte dos pequenos produtores ainda vive com baixa renda e pouca capacidade de investir em irrigação, árvores de sombra, novas variedades de cacau ou sistemas agroflorestais. Além disso, a idade média dos produtores é alta, e muitos jovens não veem atratividade econômica na atividade.
Para o setor, o caminho passa por contratos mais justos e de longo prazo, diversificação de culturas, incentivo à agrofloresta, preservação de polinizadores e apoio à adoção de variedades mais resistentes à seca.
A discussão sobre chocolate sustentável precisa avançar. Não se trata apenas de provar a origem do cacau ou comunicar boas práticas. O futuro da categoria depende de uma cadeia capaz de resistir ao clima, proteger agricultores e garantir abastecimento em um mercado cada vez mais instável.
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Fonte: Forbes







