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FoodBiz

Volume de vendas no varejo alimentar recuaram -2,2% em setembro

Chuvas recordes no Sul e Sudeste impactam lavouras, elevam os preços da Cesta Básica e afetam o comportamento de compra do consumidor brasileiro; faturamento cresceu 3,3% no mês sustentado apenas pelo ajuste de preço
 

Fonte: Scanntech -ScannShare

Outubro de 2026 – O volume de vendas no varejo alimentar recuou -2,2% em setembro de 2026, puxado por dois fatores concomitantes de uma mesma causa: As fortes chuvas no Sul e Sudeste. Segundo o Radar Scanntech, relatório mensal elaborado pela empresa líder em inteligência de dados para o varejo, ao mesmo tempo em que as fortes chuvas impactaram lavouras, encarecendo a cesta básica, elas também retraíram o consumo de bebidas na região impactada. A retração em bebidas acompanhada pela retração provocada pela alta dos preços forçaram o consumidor a reduzir a quantidade de produtos em seus carrinhos para manter o orçamento equilibrado. O faturamento cresceu 3,3%, sustentado apenas pelo aumento de preço provocado pela inflação.

O preço por unidade de produto subiu 5,7% em média no varejo alimentar em setembro e a inflação medida pela Scanntech dos produtos nos supermercados atingiu a marca de 0,91%, o maior patamar dos últimos cinco meses. O salto na inflação foi liderado pela cesta básica, que encareceu 1,61% no mês, puxada sobretudo pelos perecíveis. Com as lavouras duramente castigadas pelas fortes chuvas, a batata (+42,7%) e o tomate (+54,3%) sofreram as maiores altas de preço na comparação com agosto.

“As anomalias climáticas dividiram o comportamento de compra no Brasil. No Sul e no Sudeste a chuva afetou duramente o consumo de bebidas. No interior de SP, por exemplo, bebidas chegaram a retrair 10,7% em unidades nas mesmas lojas. Já no Norte e Nordeste, onde o clima foi mais seco, tivemos um aumento tímido em unidades vendidas, mas bebidas chegaram a crescer 9,5% no Nordeste. Além do impacto no consumo de bebidas, as chuvas alavancaram muito a inflação, provocando aceleração de retração em outras cestas, mas aqui por poder de compra achatado pelo preços”, analisa Priscila Ariani, diretora de Marketing da Scanntech e responsável pelas análises de mercado da empresa.

O estado de São Paulo registrou o pior desempenho nacional em unidades vendidas (-4,3%) e o menor crescimento em faturamento (+1,3%). Em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, a queda nas unidades foi de -3,1%. No Sul, de -1,7%, e no Centro-Oeste que ficou na zona intermediária entre as chuvas e a seca, apresentou retração de -1,1%. No Norte e Nordeste, as vendas em unidades cresceram +0,5% e +0,4%, respectivamente.
 

Fonte: Scanntech – Scann Share

Com menos pessoas circulando em lojas, nem mesmo as promoções movimentaram significativamente os estoques

Frente a uma retração de -2,9% no fluxo de clientes nas lojas, os supermercados buscaram reagir aumentando as promoções. O peso das ofertas chegou a 26,2% das vendas, uma alta de 1,2 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado. O desconto médio chegou a 20,5%.

A estratégia, no entanto, perdeu força, e o retorno dessas campanhas promocionais caiu 3,9 pontos percentuais. Os estoques foram afetados: com menos vendas, a média de dias de estoque no varejo subiu em 6 dias versus setembro de 2025, atingindo 46 dias.

Perfumaria em queda

O canal de Perfumaria, também monitorado pela Scanntech, sentiu o golpe de forma ainda mais acentuada neste mês de setembro. O faturamento despencou -9,9% na comparação com o mesmo período em 2025, com retração de -19,2% no volume de unidades vendidas e alta de 11,6% no preço médio. Entre as categorias com os piores desempenhos, eletroportáteis liderou as quedas com -38,0%, seguida pelos itens de cuidado com a pele (-16,1%).

Expectativa de melhora no consumo em 2027

Em um artigo especial para o Radar Scanntech, o economista Ricardo Amorim traça um prognóstico de mudanças significativas no consumo para 2027, capaz de beneficiar varejistas e indústrias. A expectativa de Amorim é que a implementação de novos mecanismos tributários e assistenciais a partir de janeiro do próximo ano impulsione o consumo entre a população de menor renda, o que tende a gerar maior impacto pelo volume.
 

A partir do ano que vem, as 28,8 milhões de famílias do CadÚnico passarão a receber a devolução da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços, adicionando em média R$ 47 na renda mensal dessas famílias. Em paralelo, a adoção do sistema de split payment (pagamento dividido, em que o imposto vai direto ao governo no momento da venda) deverá pressionar o fluxo de caixa das empresas na virada do ano.
 

Em 2026, o comportamento de compra mensurado pela Scanntech tem sido de maior impulso entre a alta renda, com crescimento de categorias mais caras como proteínas animais e retração de produtos indulgentes que costumam ser mais baratos.O aumento de preços dos produtos,até o momento estava abaixo do apresentado no ano passado, fazendo com que o crescimento de faturamento do canal alimentar fique por debaixo da inflação geral.

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