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Corante natural desenvolvido pela Unicamp aposta na biodiversidade amazônica

Pesquisadores da Unicamp desenvolveram um corante alimentício natural à base de crajiru, açaí e beterraba com potencial para aplicações nas indústrias de alimentos, cosméticos e têxtil. A tecnologia busca atender à crescente demanda por ingredientes de origem natural e soluções mais sustentáveis para formulações industriais.

O projeto foi conduzido pelo Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas (CPQBA) da universidade e surgiu a partir da busca por um corante vermelho natural com maior estabilidade e possibilidade de rápida adoção pelo mercado.

Segundo os pesquisadores, a combinação dos extratos vegetais permitiu alcançar diferentes tonalidades — do vermelho ao arroxeado — além de ampliar a estabilidade da coloração em comparação ao uso isolado dos ingredientes.

Mercado busca alternativas naturais

Hoje, grande parte dos corantes vermelhos utilizados pela indústria é derivada do inseto cochonilha ou de compostos sintéticos, como óxidos, que enfrentam questionamentos ligados à toxicidade e à origem dos ingredientes.

Nesse contexto, soluções baseadas em extratos vegetais vêm ganhando espaço, impulsionadas pelo interesse crescente dos consumidores por rótulos mais limpos e ingredientes naturais.

A tecnologia desenvolvida pela Unicamp utiliza o processo de copigmentação, estratégia que ajuda a proteger os pigmentos naturais da degradação causada por fatores como luz, temperatura e variações de pH.

“Quando alteramos a proporção de beterraba, por exemplo, modificamos o tom final, de forma semelhante a um sistema Pantone”, explicou o inventor independente Marcos Félix, que participou do desenvolvimento da tecnologia.

Potencial vai além da coloração

Além da função estética, os pesquisadores destacam que os extratos utilizados possuem atividade antimicrobiana, o que abre espaço para aplicações também como conservante natural.

A proposta conversa diretamente com um dos movimentos mais relevantes da indústria de alimentos: reduzir o uso de aditivos sintéticos e ampliar soluções alinhadas à saúde, sustentabilidade e transparência.

Outro diferencial está na origem do crajiru, planta nativa da Amazônia com uso medicinal já consolidado e cultivada a partir de práticas consideradas sustentáveis pela equipe do projeto.

Segundo os pesquisadores, a coleta do material vegetal ocorre de forma não destrutiva, contribuindo para a valorização da biodiversidade brasileira e para o desenvolvimento de cadeias produtivas ligadas à bioeconomia.

Aplicações em alimentos, cosméticos e foodservice

A tecnologia ainda depende de licenciamento para chegar ao mercado, processo conduzido pela Agência de Inovação Inova Unicamp.

Para a indústria de alimentos e foodservice, o desenvolvimento reforça uma tendência que vem ganhando força globalmente: o avanço de ingredientes multifuncionais, capazes de unir apelo natural, estabilidade e benefícios adicionais em formulações industriais.

No Portal Foodbiz, acompanhamos como inovação, ciência e biodiversidade brasileira estão se transformando em novas oportunidades para o setor de alimentos e bebidas.

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Fonte: Portal Amazônia

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