Os dados do CREST para 2025 mostram um retrato interessante — e cheio de nuances — do foodservice brasileiro. De um lado, o setor atinge R$ 223,5 bilhões em gastos do consumidor, o maior patamar já registrado. De outro, a frequência de consumo segue em queda, impactando diretamente o tráfego ao longo do ano.
Esse contraste ajuda a explicar por que 2025 foi, ao mesmo tempo, um ano de recordes e de ajustes estratégicos para operadores e marcas.
Mais dinheiro no setor, menos visitas no dia a dia
O gasto total do consumidor cresceu 1% em relação a 2024, alcançando o recorde histórico. O principal motor desse avanço foi o ticket médio, que chegou a R$ 20,74, alta de 6% no comparativo anual.
Já o tráfego total somou 10,8 bilhões de pedidos, uma queda de 5% frente ao ano anterior. A redução da frequência mostra que o consumidor está saindo menos para comer fora no cotidiano — mas quando vai, gasta mais.
Na prática, isso sinaliza uma mudança clara de comportamento: menos ocasiões rotineiras e mais decisões planejadas ou concentradas em momentos específicos.
Premium e ticket baixo: dois polos que ganham força
Os dados do CREST também reforçam uma dinâmica que vem se consolidando no setor. Em 2025, segmentos premium e de ticket mais baixo foram os grandes destaques de tráfego.
- High Check e Casual Dining lideraram o crescimento entre os modelos premium, mostrando resiliência mesmo em um cenário de menor frequência.
- No outro extremo, o segmento de Super/Hiper se destacou operando com tickets menores, capturando consumidores mais sensíveis a preço.
Esse movimento evidencia um consumidor mais polarizado: ou busca experiências percebidas como “valendo a pena”, ou prioriza conveniência e controle do gasto.
Dayparts: tardes e noites sustentam o consumo
Quando o recorte é por horário de consumo, os dayparts Tarde e Noturnos mostram maior resiliência no tráfego em 2025. Já os períodos Matinais registraram uma queda expressiva de 12%, reforçando a perda de espaço do consumo fora de casa no início do dia.
Esse dado dialoga diretamente com mudanças na rotina, no trabalho híbrido e na reorganização dos hábitos urbanos.
Delivery sente o impacto da menor frequência
Mesmo com a entrada de novos agregadores e promoções agressivas, o delivery caiu 5% em 2025. O canal segue relevante, mas também sente os efeitos da menor recorrência de consumo no dia a dia.
O dado sugere que preço e incentivo, sozinhos, já não são suficientes para sustentar volume — experiência, conveniência real e adequação ao momento do consumidor ganham ainda mais peso.
Nordeste cresce, Sudeste recua
O recorte regional reforça contrastes importantes no país. O Sudeste teve uma queda de 10% no tráfego, enquanto o Nordeste liderou o crescimento, com alta de 10% em relação a 2024.
A leitura regional aponta para diferenças no ritmo econômico, nos hábitos de consumo e nas oportunidades de expansão, especialmente fora dos grandes centros tradicionais.
Os dados do CREST 2025 ajudam a entender por que o foodservice vive um momento de transição: menos frequência, mais valor por visita, polarização de segmentos e mudanças claras por região, canal e ocasião de consumo.
Análises como essa fazem parte do acompanhamento contínuo do setor feito pelo IFB e também estão no radar do Portal Foodbiz, que reúne dados, leituras e tendências para apoiar decisões mais estratégicas no foodservice brasileiro.







