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Ozempic, Mounjaro e o impacto dos GLP-1 no consumo

As chamadas canetas emagrecedoras deixaram de ser um fenômeno restrito à área médica e passaram a influenciar setores inteiros da economia. Um relatório recente do Itaú BBA aponta que medicamentos da classe GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, já estão redesenhando o setor de saúde no Brasil — e começam a gerar impactos indiretos também sobre padrões de consumo e alimentação.

Segundo o banco, a adoção desses medicamentos no país acontece em ritmo acelerado, impulsionada por um cenário bastante específico: cerca de 70% da população brasileira apresenta sobrepeso ou obesidade, além de um forte componente cultural ligado à estética. Não à toa, o Brasil aparece como um dos maiores mercados globais de procedimentos estéticos.

Com a proximidade do vencimento da patente da semaglutida, previsto para o primeiro semestre de 2026, a tendência é de expansão ainda maior. No cenário-base do Itaú BBA, o mercado brasileiro de GLP-1 pode chegar a 15 milhões de usuários e movimentar cerca de R$ 50 bilhões até 2030 — hoje, esse número gira em torno de R$ 10 bilhões.

Mudanças no consumo alimentar entram no radar

Para além da indústria farmacêutica e do varejo de farmácias, o relatório chama atenção para possíveis efeitos sobre o consumo de alimentos no médio e longo prazo. Estudos citados pelo banco indicam que pacientes em tratamento com GLP-1 podem reduzir a ingestão calórica diária em até 40%.

Essa mudança tende a impactar principalmente categorias mais indulgentes, como snacks, produtos de panificação doce, alimentos ricos em carboidratos e bebidas alcoólicas. Ainda assim, o impacto agregado sobre grandes empresas de alimentos e bebidas é considerado moderado no curto prazo.

Mesmo em um cenário mais agressivo, com cerca de 5,5 milhões de usuários no Brasil até 2027, a estimativa do banco é de uma queda média de aproximadamente 2% no lucro de companhias como Ambev, M. Dias Branco e Camil.

Proteínas ganham espaço no longo prazo

Se alguns segmentos podem sentir pressão, outros surgem como potenciais vencedores. O relatório destaca as proteínas como uma categoria favorecida, já que pacientes em uso de GLP-1 costumam receber orientação médica para aumentar o consumo proteico e minimizar a perda de massa muscular.

Apesar disso, o Itaú BBA evita projeções financeiras mais específicas para esse movimento, reforçando que os efeitos positivos devem se materializar de forma gradual e no longo prazo — um ponto que merece atenção especial de operadores, marcas e redes de foodservice.

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Fonte: MoneyTimes

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