A FDA deu mais um passo rumo a regras mais rígidas para a rotulagem de glúten nos Estados Unidos. A agência abriu um pedido oficial de informações que deve embasar uma nova regulamentação voltada à transparência dos ingredientes, especialmente para consumidores com doença celíaca ou que seguem dietas sem glúten.
Hoje, a legislação norte-americana exige que os fabricantes indiquem apenas a presença de nove alérgenos principais nos rótulos: leite, ovos, peixe, crustáceos, nozes, amendoim, trigo, soja e gergelim. Grãos como centeio e cevada, que também contêm glúten, ficam fora dessa lista — o que, na prática, obriga muitos consumidores a fazerem verdadeiros exercícios de interpretação ao escolher um produto.
Agora, a FDA quer mudar esse cenário. A agência está solicitando dados sobre reações adversas a ingredientes que contêm glúten, incluindo aqueles que não são trigo, além de informações sobre como as empresas já comunicam (ou não) a presença de glúten em seus produtos. Também entrou no radar a contaminação cruzada, especialmente no caso da aveia, frequentemente processada em instalações que manipulam grãos com glúten.
O tema ganhou força política após aparecer no relatório Make America Healthy Again, divulgado pelo governo dos EUA no fim de 2025, que colocou a transparência de ingredientes como uma das prioridades no combate às doenças crônicas, sobretudo na infância. O documento reforça um movimento mais amplo de revisão de rótulos, que pode atingir também alimentos ultraprocessados e informações nutricionais na parte frontal das embalagens.
Um dos pontos mais sensíveis do debate é o uso do aviso voluntário “pode conter glúten”. Embora comum, esse tipo de declaração é alvo de críticas por ser usado de forma excessiva e acabar confundindo o consumidor. Em novembro, a FAO e a OMS publicaram novas diretrizes internacionais sobre o tema, reafirmando que alimentos com até 20 partes por milhão de glúten podem ser classificados como “sem glúten”. Além disso, o rótulo “pode conter” não seria necessário se a contaminação acidental não ultrapassar 4 miligramas por porção.
Para a Fundação da Doença Celíaca, o pedido de informações da FDA representa um avanço relevante. A entidade destacou que ainda não se trata de uma decisão final, mas sinaliza uma direção clara: mais transparência, embasamento científico e consideração da experiência real dos consumidores.
Movimentos como esse ajudam a entender para onde caminha a regulação alimentar nos EUA — e seus possíveis reflexos globais. Aqui no Brasil, acompanhar essas discussões é essencial para o foodservice e a indústria de alimentos, tema que segue no radar do Portal Foodbiz, com análises sobre tendências regulatórias, consumo e inovação no setor.
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Fonte: Food Dive







