A popularização de suplementos como whey protein e creatina ganhou um novo capítulo nas redes sociais e passou a gerar preocupação entre especialistas em saúde infantil. Vídeos de influenciadoras adicionando whey protein à mamadeira de crianças pequenas viralizaram recentemente, reacendendo o debate sobre os limites da suplementação na infância.
Segundo o Dr. Mauro Fisberg, presidente do Departamento de Nutrição da Sociedade de Pediatria de São Paulo, o uso desses produtos não é recomendado para crianças saudáveis sem orientação médica e acompanhamento profissional.
“O uso indiscriminado desses suplementos pode trazer riscos e criar uma falsa percepção de necessidade nutricional”, afirma o especialista.
O alerta ocorre em um momento de forte crescimento do mercado de suplementos alimentares, impulsionado principalmente pelo universo fitness e pela busca por produtos associados à saúde, performance e bem-estar. No entanto, especialistas reforçam que as necessidades nutricionais das crianças normalmente podem ser atendidas por meio de uma alimentação equilibrada, sem suplementação.
Para os pediatras, o principal problema está na banalização do consumo desses produtos, especialmente quando práticas sem respaldo científico passam a ser reproduzidas nas redes sociais como hábitos cotidianos.
“O excesso de proteínas e suplementos pode sobrecarregar o organismo infantil e ainda estimular uma relação inadequada com a alimentação desde cedo”, explica Fisberg.
Originalmente, whey protein e creatina foram desenvolvidos para contextos específicos ligados à nutrição esportiva, principalmente para adultos e atletas. Em crianças, a recomendação é que qualquer suplementação seja feita apenas em situações clínicas específicas, como deficiências nutricionais diagnosticadas ou condições de saúde que exijam acompanhamento individualizado.
Além da preocupação nutricional, especialistas também chamam atenção para o impacto da influência digital no comportamento de pais e responsáveis.
“Quando figuras públicas apresentam esse consumo como algo saudável e comum, muitas famílias podem reproduzir a prática sem orientação adequada”, alerta o médico.
O caso reforça uma discussão mais ampla sobre alimentação infantil, marketing digital e o avanço de produtos funcionais no cotidiano das famílias. Ao mesmo tempo em que cresce a busca por alimentos com proteína e benefícios nutricionais, entidades médicas defendem maior cautela na associação desses produtos à infância.
A orientação dos especialistas é clara: antes de incluir qualquer suplemento alimentar na rotina de crianças, é fundamental consultar pediatras ou nutricionistas especializados em nutrição infantil.







