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O boom das proteínas e o impacto no varejo alimentar

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A ingestão adequada de proteínas é essencial para a manutenção da saúde. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), adultos devem consumir, em média, 0,8g de proteína por quilo de peso corporal diariamente. No entanto, para quem pratica atividades físicas com frequência, essa necessidade pode até dobrar, especialmente em função da busca por ganho e manutenção de massa magra.

Esse cenário tem impulsionado um movimento expressivo nas prateleiras dos supermercados. A presença crescente de produtos com alto teor proteico reflete uma transformação nos hábitos de consumo, ancorada em fatores fisiológicos, demográficos e comportamentais. “A busca por alimentos ricos em proteína está diretamente ligada ao desejo por maior saciedade, controle de peso e saúde muscular, especialmente em dietas como low-carb, cetogênica e paleolítica”, analisa Claudio Felisoni, professor da FIA Business School.

A indústria e o varejo têm respondido com inovação. Alimentos com proteína extra — especialmente lácteos — estão ganhando espaço. Leites enriquecidos, por exemplo, são uma aposta de marcas que desejam atender um consumidor mais exigente, que busca conveniência, desempenho nutricional e praticidade.

Para Felisoni, o caminho é investir em inovação e diversificação. “Combinar alto teor proteico com atributos como sustentabilidade, naturalidade e sabor superior é uma estratégia eficiente. Além disso, ampliar o uso de proteínas vegetais — como soja, ervilha e grão-de-bico — pode atrair públicos variados”, afirma. A personalização também é um diferencial competitivo, com produtos direcionados para nichos como atletas, idosos, crianças, veganos e pessoas com restrições alimentares.

Um dos lançamentos que chamou atenção no Festival APAS SHOW foi o Piracanjuba +Proteína Zero Lactose, leite semidesnatado com 10g de proteína por porção — 50% a mais do que a versão tradicional. Além disso, o produto oferece 33% a mais de cálcio e se posiciona como uma alternativa prática para quem deseja maior aporte proteico no dia a dia.

Segundo Lisiane Campos, diretora de Marketing da marca, a escolha pela versão zero lactose foi estratégica: “A proteína em excesso pode tornar a digestão mais difícil. Ao optar por uma base sem lactose, conseguimos preservar o bem-estar do consumidor”, explica. A fórmula ainda apresenta leve alteração de cor, mais puxada para o caramelo, e sabor suavemente mais doce, resultado da Reação de Maillard — processo natural que ocorre durante o aquecimento das proteínas.

A linha zero lactose da Piracanjuba já existe desde 2012 e atende um público que sofre com desconfortos digestivos ao consumir leite comum. “Estudos indicam que cerca de 70% dos brasileiros têm algum grau de intolerância à lactose”, diz Lisiane.

Outras marcas também entraram nesse mercado em ascensão, como Molico +Proteína Zero Lactose, Itambé PRO Desnatado e Camponesa Zero Lactose, este último com 14g de proteína por porção.

Para o professor Felisoni, o crescimento do consumo de produtos proteicos não é passageiro. “Trata-se de uma mudança estrutural nos hábitos alimentares. O envelhecimento da população e o aumento da prática de exercícios físicos continuarão impulsionando essa demanda. A importância da proteína está bem fundamentada cientificamente, o que garante base sólida para a continuidade dessa tendência”.



Fonte: Supervarejo

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