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Pinhão ganha força além do Sul e conquista novos mercados

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Tradicionalmente associado à Região Sul do Brasil, o pinhão — semente da araucária — começa a conquistar novos territórios e mercados. Com uma produção anual de aproximadamente 13,5 mil toneladas concentrada nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o alimento começa a se destacar também na Serra da Mantiqueira, em São Paulo.

A expansão tem reflexos internacionais. As exportações para os Estados Unidos, por exemplo, dobraram em um ano, passando de 6 para 12 toneladas, segundo Carlos Jobson de Sá Filho, presidente da Associação dos Empreendedores Formais e Informais de Campos do Jordão (Avepi). O mercado externo tem oferecido melhores preços: o quilo do pinhão exportado é vendido a R$ 12, enquanto os produtores brasileiros recebem entre R$ 4 e R$ 5 na safra atual. Para Terezinha Fátima da Silva Rosa, catadora na região paulista, a demanda este ano está mais aquecida do que no ciclo anterior.

Produção e inovação na Serra da Mantiqueira

Na Mantiqueira, a produção local gira em torno de 500 toneladas por ano. Para agregar valor ao produto, produtores estão apostando no beneficiamento e na industrialização. Um exemplo é a empresa O Pinhão, fundada por Suzana Reis em 2018, que transforma cerca de 6 toneladas por ano em produtos como conserva, farinha e pinhão cozido congelado. A expectativa é dobrar essa produção até 2026.

Parcerias também têm fortalecido o cenário. A Embrapa e a Avon, por meio do projeto “Mulheres e a Cultura do Pinhão”, promovem capacitações voltadas ao processamento do alimento, com foco na inclusão produtiva de mulheres. A iniciativa também aposta no plantio de araucárias enxertadas — que começam a produzir em apenas quatro anos, frente aos 12 a 15 anos das espécies nativas.

Novos empreendimentos e perspectivas

A cadeia do pinhão segue se estruturando com novas iniciativas. Uma agroindústria está em fase de construção em Inácio Martins (PR), voltada à produção de farinha, e outro empreendimento em Delfim Moreira (MG) se dedicará ao processamento de pinhão cozido e congelado. Esses investimentos indicam um movimento promissor para diversificar o uso do alimento e aumentar sua relevância econômica, tanto no mercado interno quanto externo.

Do Sul à Mantiqueira, o pinhão mostra seu potencial como ingrediente versátil e símbolo de inovação sustentável na gastronomia brasileira.


Fonte: Portal Tela

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