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Bares paulistanos reagem à crise do metanol com cardápios reformulados

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Depois da crise provocada pelos casos de intoxicação por metanol em bebidas adulteradas, bares e casas noturnas de São Paulo têm se mobilizado para recuperar a confiança do público. As iniciativas incluem desde ajustes nos cardápios até campanhas com influenciadores e um movimento coletivo de conscientização sobre consumo seguro.

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Reações rápidas e mudanças no cardápio

Com 28 casos confirmados de contaminação e investigações em curso, muitos estabelecimentos decidiram adotar medidas preventivas. O Grupo Tokyo, responsável por casas como Tokyo, Selva e Alto, suspendeu temporariamente a venda de destilados incolores — como vodca e gim —, substituindo-os por cervejas, vinhos, drinques prontos e opções não alcoólicas.

“Preferimos uma atitude de extremo cuidado até termos segurança de que o risco passou”, afirma Fábio Floriano, sócio do grupo. Segundo ele, mesmo antes da suspensão, o público já vinha reduzindo o consumo de destilados e migrando para bebidas mais leves.

Na Casa Fluida, na Consolação, a queda nas vendas de drinques chegou a 85% em uma semana. Para driblar o impacto, os sócios criaram novos coquetéis à base de espumante, vinhos e licor — além de divulgar vídeos nas redes sociais explicando as medidas de segurança adotadas. A estratégia ajudou a retomar parte do movimento, embora as vendas ainda estejam abaixo do normal.

Outros bares, como o VenTu Bar, o Mitte, o Barouche e o Al Janiah, também reformularam seus cardápios, priorizando bebidas de procedência certificada e coquetéis envasados.

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Comunicação e treinamento: o Movimento Bebida Segura

A resposta do setor ganhou força com o Movimento Bebida Segura, iniciativa conjunta entre indústria, varejo e governo. A campanha envolve a capacitação de donos de bares, ações educativas sobre identificação de bebidas originais e conteúdos nas redes sociais com influenciadores.

Os vídeos mostram como identificar selos da Receita Federal e lacres de segurança, além de destacar estabelecimentos comprometidos com boas práticas. Grandes casas, como o Bar Astor, aderiram à ação, exibindo a procedência certificada das bebidas servidas.

Um mapa colaborativo online também foi criado para que consumidores denunciem locais suspeitos de comercializar produtos adulterados. O sistema indica os níveis de risco e se as denúncias foram verificadas por fontes oficiais, ampliando a transparência.

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Parceria público-privada e protocolos de segurança

O governo paulista estuda, em parceria com entidades do setor, a criação de um selo de procedência para bares e restaurantes, indicando que as bebidas comercializadas passam por controles de qualidade. A proposta inclui o treinamento de agentes de fiscalização e a certificação de estabelecimentos que sigam protocolos específicos.

Associações como a Abrabe, ABBD e Abrasel já estão promovendo workshops e materiais educativos sobre boas práticas de compra, armazenamento e serviço de bebidas — reforçando o compromisso do setor em combater a informalidade e garantir a segurança do consumidor.


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Fonte: Globo

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