Os recalls de alimentos vêm crescendo em velocidade e gravidade nos últimos anos. Casos envolvendo Salmonella, Listeria, fragmentos de metal e alérgenos não declarados dispararam, deixando consumidores mais atentos — e empresas mais expostas.
Entre 2020 e 2024, o volume total de recalls subiu 15%. Só em 2024, as doenças transmitidas por alimentos que resultaram em hospitalizações e mortes dobraram. O impacto vai além da saúde pública: as doenças de origem alimentar representam um custo anual estimado em US$ 75 bilhões nos EUA, considerando despesas médicas, perda de produtividade e mortes prematuras (responsáveis por 56% desse valor).
Segundo Liz Sertl, diretora sênior de engajamento comunitário da GS1 US, esse aumento não significa necessariamente que a situação esteja piorando — mas sim que a capacidade de identificar problemas antes que cheguem ao consumidor está mais eficiente.
A confiança do consumidor está em jogo
Mesmo um único recall pode afetar a percepção de uma marca. Pesquisas mostram que 93% dos consumidores se preocupam com a frequência de recalls e 59% evitam o produto ou marca envolvida. Isso ajuda a explicar por que padrões de rastreabilidade deixaram de ser apenas um requisito regulatório: hoje, são parte central da estratégia de confiança e competitividade.
A adoção de padrões GS1 — como GTIN, GLN, RFID, códigos 2D e o sistema EPCIS — permite que fabricantes identifiquem rapidamente lotes afetados, comuniquem-se com precisão e reduzam o impacto sobre seus consumidores e operações. Além disso, prepara o setor para as exigências da Regra 204 da Lei de Modernização da Segurança Alimentar (FSMA), que entra em vigor em 2028.
A lacuna de rastreabilidade ainda é grande
O consumidor presume que o alimento que compra é seguro. Ao mesmo tempo, 60% deixam de comprar uma categoria inteira de produtos após um recall quando as informações são incompletas — como já ocorreu com espinafre e alface romana.
O problema é que, dentro das empresas, a rastreabilidade ainda enfrenta obstáculos. Dados críticos ficam espalhados entre logística, qualidade, compras e cadeia de suprimentos. Em pequenas empresas, a dependência de planilhas, papéis e anotações manuais torna o processo ainda menos confiável.
Sem integração de dados, o tempo de resposta a um recall aumenta — e as consequências também.
Quando a rastreabilidade funciona, a resposta é mais rápida
Para recalls, tempo é tudo. Quanto antes a empresa identifica o lote afetado, mais cedo retira os produtos do mercado e reduz riscos.
Sertl cita um caso recente: uma empresa que já havia se preparado para a FSMA 204 e organizado seus dados de forma estruturada ajudou a FDA a rastrear informações em minutos, acelerando a investigação para menos de 24 horas — um processo que antes demoraria dias ou semanas.
Esse ganho de agilidade vem do uso coordenado de:
- GTIN: identifica produtos
- GLN: identifica locais com precisão
- RFID: captura dados via radiofrequência
- Códigos 2D: concentram informações ricas e acessíveis ao consumidor
- EPCIS: rastreia movimentação e status em tempo real
Além da segurança, esses dados ampliam a eficiência operacional, reduzem desperdícios e melhoram a gestão de estoques.
Um alerta para o setor: o momento de agir é agora
Mesmo empresas que operam fora do escopo da FSMA 204 podem ser pressionadas por varejistas a seguir padrões mais rígidos de rastreabilidade. Para Sertl, implementar os padrões GS1 desde já é uma forma de ganhar tempo, evitar correções emergenciais no futuro e preparar a organização para processar dados com mais velocidade e transparência.
A rastreabilidade, portanto, vai além da conformidade. É uma ferramenta estratégica para proteger a marca, fortalecer a confiança do consumidor e aumentar a resiliência das cadeias de suprimentos.
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