A Mondelēz está ajustando sua estratégia de inovação em chocolates diante de um cenário que ainda pressiona toda a cadeia: o custo elevado do cacau. Mesmo com a recente queda nos preços da commodity em relação ao pico registrado no fim de 2024, os impactos continuam aparecendo — e devem seguir assim por mais algum tempo.
Isso acontece porque grandes fabricantes trabalham com contratos antecipados de compra. Na prática, o cacau usado hoje foi adquirido meses atrás, o que significa que os efeitos mais relevantes da queda de preços só devem ser sentidos, de fato, a partir de 2027 — desde que o mercado se estabilize.
Diante desse contexto, a dona de marcas como Milka, Toblerone e Cadbury está redesenhando seu portfólio. Um dos movimentos mais claros é a aposta em produtos com menor uso de chocolate puro. Barras recheadas com caramelo, nougat, frutas e castanhas ganham mais espaço — uma solução que equilibra custo e mantém a percepção de indulgência.
Ao mesmo tempo, a companhia acelera em outra frente: a premiumização. A lógica aqui é simples — se o custo sobe, faz mais sentido vender produtos com maior valor agregado. Segundo o CEO Dirk Van de Put, chocolates premium chegam a gerar quase o dobro de receita em comparação com versões tradicionais.
Parcerias estratégicas entram nesse jogo. A colaboração com a Biscoff, por exemplo, vem sendo expandida em diferentes marcas do grupo, criando combinações que chamam atenção do consumidor e reforçam o posicionamento mais sofisticado.
Outro ajuste importante está no formato dos produtos. A Mondelēz amplia a oferta de itens menores e porcionados, acompanhando mudanças de comportamento — consumo mais frequente, porém em pequenas quantidades. Além disso, a empresa busca crescer em canais onde ainda tem menor presença, como o varejo de desconto.
Mesmo com os desafios, há sinais de alívio. Parte da melhora recente nos custos deve ser direcionada para investimentos em marketing e presença no ponto de venda ao longo de 2026, reforçando marcas em um momento em que diferenciação se torna ainda mais crítica.
O movimento da Mondelēz ajuda a ilustrar um ponto maior para o foodservice e a indústria: quando a matéria-prima pressiona, inovação deixa de ser apenas sobre produto — e passa a envolver formato, posicionamento e estratégia de valor.
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Fonte: Food Dive








