O atacado brasileiro encerrou 2025 com faturamento de R$ 616,6 bilhões, consolidando ainda mais sua relevância dentro da cadeia de abastecimento nacional.
Segundo dados do Ranking ABAD NielsenIQ 2026, o setor registrou crescimento nominal de 17,27% e avanço real de 11%, ampliando sua participação no mercado de alimentos, bebidas, higiene e limpeza para 55,9%.
Mas os números do estudo revelam uma transformação mais profunda no comportamento de consumo do brasileiro — e que vai além do varejo alimentar.
Bets começam a disputar orçamento com consumo básico
Um dos dados que mais chamou atenção no levantamento foi o avanço das apostas esportivas no orçamento das famílias.
Segundo a NielsenIQ, os brasileiros destinaram cerca de R$ 360 bilhões para jogos e apostas em 2025, com 26% dos lares declarando participação regular nas chamadas bets — o dobro do registrado no ano anterior.
O impacto já começa a aparecer diretamente no consumo de supermercado.
O estudo aponta que o consumidor está levando, em média, 8% menos itens para casa em comparação ao ano anterior.
Para Domenico Tremaroli Filho, diretor de varejo da NielsenIQ, a disputa pela renda do consumidor deixou de acontecer apenas entre varejistas.
“Hoje a concorrência não está apenas na loja ao lado. Há competidores invisíveis disputando a renda do consumidor”, afirmou.
Carrinho menor e orçamento pressionado
Além das bets, outros fatores vêm pressionando o orçamento das famílias, como juros elevados, inadimplência, inflação concentrada em despesas essenciais e novas tendências de consumo.
Entre elas, o levantamento destaca o avanço das compras internacionais e das chamadas canetas emagrecedoras, que começam a impactar hábitos alimentares e categorias dentro do varejo e do foodservice.
Segundo Leonardo Miguel Severini, presidente da ABAD, o consumidor está fazendo esforço para manter o básico no carrinho.
“O brasileiro está muito endividado e fazendo esforço para manter seu carrinho cheio”, afirmou.
Atacado amplia relevância no abastecimento
Mesmo diante do cenário de pressão econômica, o atacado segue ampliando espaço dentro da cadeia de distribuição.
Hoje, o setor responde por:
- 40% das vendas dos grandes supermercados;
- 68% do pequeno varejo;
- 95% do varejo tradicional;
- 85% dos bares;
- 45% de hotéis, restaurantes e cafeterias;
- 45% das farmácias e cosméticos.
O avanço mostra como canais mais eficientes e competitivos ganham força em momentos de orçamento apertado.
Tecnologia e eficiência sustentam crescimento
O setor também vem acelerando investimentos em tecnologia, automação e digitalização.
As prioridades para 2026 incluem sistemas de gestão, marketplaces, e-commerce, telemarketing e automação comercial.
O movimento acompanha uma transformação importante: atacadistas deixando de atuar apenas como operadores logísticos para se consolidarem também como plataformas comerciais e hubs de abastecimento.
Atacadão segue líder do mercado
O ranking da ABAD NielsenIQ mantém o Atacadão como líder absoluto do setor, com faturamento próximo de R$ 90 bilhões.
Na sequência aparecem Grupo Martins, Atacadão Dia a Dia, Tambasa e Comercial Zaffari.
O estudo também mostra forte pulverização regional, com São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina concentrando mais de 52% do faturamento total do setor.
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Fonte: Infomoney







