FoodBiz

Canetas emagrecedoras já impactam consumo de alimentos

Ceagesp/Divulgação

O avanço das chamadas canetas emagrecedoras e a crescente busca por alimentação saudável já começam a gerar impactos em diferentes elos da cadeia de alimentos no Brasil — inclusive no maior entreposto da América Latina, a Ceagesp, em São Paulo.

Responsável pela movimentação de cerca de R$ 16 bilhões por ano e pelo abastecimento da Grande São Paulo, a central vem observando mudanças no padrão de consumo, com maior demanda por produtos associados à saudabilidade, bem-estar e dietas específicas.

Segundo Thiago de Oliveira, chefe da Seção de Economia e Desenvolvimento da Ceagesp, itens como abacate, batata-doce e alimentos com apelo funcional vêm registrando crescimento consistente nos últimos anos.

“A gente percebe uma mudança no padrão de consumo. Produtos ligados à saudabilidade têm tido uma reta ascendente ao longo do tempo”, afirma.

O movimento ganhou força especialmente após a pandemia, período em que os consumidores passaram a olhar com mais atenção para hábitos alimentares e qualidade nutricional. Agora, a popularização de medicamentos voltados ao emagrecimento reforça essa transformação.

Além do aumento na procura por alimentos considerados mais nutritivos ou com menor índice glicêmico, a mudança também influencia diretamente a dinâmica de preços e demanda dentro do entreposto.

A Ceagesp comercializa cerca de 10 mil toneladas de alimentos por dia e reúne mais de 45 mil pessoas diariamente entre produtores, atacadistas, feirantes e compradores. O volume anual chega a aproximadamente 3 milhões de toneladas.

Mesmo com novas tendências de consumo, o mercado ainda apresenta forte concentração em poucos itens. De acordo com dados da própria Ceagesp, entre cerca de 500 variedades disponíveis, apenas 10 a 15 produtos concentram grande parte do consumo dos brasileiros.

Outro fator que segue determinante para o comportamento do setor é o clima. Temperaturas mais altas tendem a elevar a procura por frutas e alimentos frescos, enquanto períodos frios impulsionam o consumo de itens mais calóricos, como mandioca e abóbora.

“Às vezes entra a mesma quantidade de produto, mas o preço sobe porque está calor nas cidades e as pessoas consomem mais”, explica Oliveira.

Esse cenário acompanha uma tendência global de alta nos preços dos alimentos. Dados do FAO Food Price Index, indicador da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), mostram que os preços internacionais das commodities alimentares seguem acima da média histórica desde 2020. Em março de 2026, o índice fechou em 128,5 pontos, acima do registrado no mesmo período do ano anterior.

Para o foodservice e a indústria de alimentos, o avanço dessas mudanças no comportamento do consumidor pode acelerar transformações em portfólios, cardápios e estratégias de abastecimento.

Portal Foodbiz acompanha as tendências de consumo, comportamento e inovação que impactam a cadeia de alimentos e o foodservice.

.
Fonte: Exame

Compartilhar

Antes de sair: quer receber os principais insights do foodservice?

Leva 10 segundos. E você passa a acompanhar o que os líderes do setor estão vendo antes.