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FoodBiz

IMC reduz dívida pela metade e volta a gerar caixa. Agora, mira crescimento mais rentável

A International Meal Company (IMC), dona de marcas como Frango Assado e Pizza Hut, começou 2026 com uma prioridade clara: reduzir a alavancagem e voltar a gerar caixa. Seis meses depois, os números começam a mostrar o efeito da estratégia. No segundo trimestre, a companhia reduziu a dívida em 27%, enquanto o fluxo de caixa livre voltou ao terreno positivo.

A melhora é resultado de uma combinação de medidas adotadas nos últimos meses: redução de despesas, menor nível de investimentos, racionalização do portfólio e venda de ativos. Ao mesmo tempo em que diminuiu o tamanho da operação, a IMC passou a concentrar esforços nas marcas e modelos de negócio com maior potencial de rentabilidade.

“Estamos construindo uma IMC mais leve, mais rentável e com geração de caixa cada vez mais consistente. A disciplina financeira e a simplificação do portfólio começam a aparecer no resultado”, diz Natália Lacava da IMC.

Menos dívida, mais caixa

A principal mudança aparece no balanço. No acumulado do ano, o fluxo de caixa operacional pré-IFRS somou R$ 70,1 milhões, alta de 67,4% em relação ao mesmo período de 2025. Depois dos investimentos, foram R$ 54,6 milhões, contra um resultado negativo um ano antes.

O fluxo de caixa livre também voltou ao azul: foram R$ 13,2 milhões no primeiro semestre de 2026, revertendo os R$ 35,1 milhões negativos registrados nos primeiros seis meses de 2025.

A companhia chegou a esse resultado com uma postura mais seletiva em investimentos. O capex caiu 67,4% no segundo trimestre e 72,6% no acumulado do ano, para R$ 15,4 milhões, concentrado em iniciativas consideradas de maior retorno.

A equação é relevante porque indica uma mudança na dinâmica financeira da companhia: em vez de depender de investimentos elevados para sustentar a operação, a IMC começa a operar com uma estrutura de capital mais leve e maior capacidade de financiar o próprio crescimento.

“Reduzimos a dívida de forma expressiva e voltamos a gerar caixa livre. Isso nos dá espaço para investir com seletividade, sempre olhando o retorno sobre o capital”, afirma Natália.

Pizza Hut ganha espaço na virada

Se a desalavancagem é o principal indicador da transformação financeira, a Pizza Hut aparece como um dos sinais mais claros de melhora operacional.

A receita líquida da marca cresceu 12,9% no segundo trimestre, passando de R$ 46,6 milhões para R$ 52,6 milhões. O avanço veio acompanhado de crescimento nas vendas em mesmas lojas, de 5,0% no consolidado e de 6,5% nas unidades próprias.

Mais importante que o crescimento da receita foi a expansão das margens. A margem bruta avançou 475 pontos-base, enquanto o EBITDA ajustado da Pizza Hut cresceu 56,7% no trimestre e 126,8% no semestre.

A evolução mostra que o crescimento da marca não está acontecendo apenas pela expansão das vendas. A companhia também está conseguindo transformar uma parcela maior da receita em resultado operacional.

A estratégia inclui ainda novas formas de distribuição. A parceria com a rede AMPM, baseada em produção centralizada, atingiu volume relevante em um único mês, ampliando o potencial da marca em um modelo que exige menos capital.

“A Pizza Hut virou um dos principais motores de rentabilidade da companhia. O crescimento de dois dígitos com expansão de margem mostra que a melhoria do portfólio de lojas e o avanço no digital estão no caminho certo”, diz Natália.

Uma IMC mais eficiente

A melhora da Pizza Hut acontece em paralelo a uma mudança mais ampla na operação brasileira. No segundo trimestre, o EBITDA ajustado ex-IFRS16 do Brasil cresceu 25,6%. Sem considerar a operação de catering aeroportuário RA Catering, o avanço chegaria a 43,7%. A margem bruta consolidada avançou 108 pontos-base, enquanto o G&A direto caiu 21,7%.

No Frango Assado, outra das principais marcas da companhia, as vendas em mesmas lojas dos postos aceleraram para 5,7%. A empresa também concluiu o bandeiramento das unidades, movimento que pode contribuir para aumentar o fluxo de veículos e clientes.

A redução de custos alcançou também a estrutura corporativa. O G&A corporativo caiu 25% no trimestre. Considerando a estrutura corporativa e as unidades, a queda consolidada chegou a 17%.

Mais do que um corte pontual de despesas, o movimento indica uma tentativa de adequar a estrutura da companhia a um portfólio menor.

Venda de ativos reduz complexidade

A simplificação também passou pelo portfólio. Em 31 de julho, a IMC concluiu a venda da operação de catering aeroportuário, a RA Catering, por R$ 20 milhões. A companhia encerrou o trimestre com 345 lojas, depois de um processo de racionalização da rede que priorizou operações consideradas mais rentáveis. A lógica é reduzir a complexidade e direcionar capital para negócios com maior potencial de retorno.

Até a operação nos Estados Unidos, que vinha pressionando os resultados, apresentou sinais de recuperação. A margem bruta avançou 245 pontos-base, enquanto o EBITDA ajustado ex-IFRS16 voltou ao terreno positivo no semestre, em US$ 0,3 milhão.

Outro indicador melhorou: o NPS da operação americana avançou 10 pontos percentuais em relação a 2025.

O próximo capítulo

A transformação da IMC, portanto, não passa apenas por crescer mais. Passa por crescer de uma forma diferente.

Com menos dívida, menor necessidade de capital, uma estrutura corporativa mais enxuta e um portfólio concentrado em operações com maior potencial de retorno, a companhia entra no segundo semestre com uma equação financeira mais favorável.

O desafio agora é transformar a eficiência conquistada em crescimento sustentável. “Ainda vemos espaço para capturar eficiências. Seguimos com uma agenda de crescimento seletivo, ancorada em parcerias e em modelos de menor capital”, conclui a CFO da IMC.

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