No dia 20 de agosto, em São Paulo, o foodbiz summit 2026, realizado pelo IFB – Instituto Foodservice Brasil, reuniu diferentes elos da cadeia do foodservice em um dia de conteúdo, dados e troca de experiências. Operadores, indústria, fornecedores, empresas de tecnologia e serviços, plataformas e lideranças estiveram juntos para discutir os desafios atuais do mercado e os caminhos para os próximos anos.
O Brasil que Alimenta o Brasil

Com o conceito “O Brasil que Alimenta o Brasil”, a programação percorreu temas como cenário econômico, tecnologia, inteligência artificial, eficiência operacional, competitividade, comportamento do consumidor, marketing e construção de marcas.
A abertura foi conduzida por Alessandro Rios, presidente do IFB, que apresentou o Instituto e a força do ecossistema conectado pela entidade. Hoje, o IFB reúne mais de 132 empresas associadas, que representam R$ 109 bilhões em faturamento anual, 440 mil colaboradores, 183 mil estabelecimentos e 197 milhões de consumidores atendidos por mês.
Na sequência, Fernando Schüler abriu a discussão sobre o ambiente em que as empresas brasileiras estão inseridas. Em “Brasil: Dilemas e Perspectivas”, temas como produtividade, competitividade, investimento, carga tributária, segurança jurídica, infraestrutura e capital humano entraram no debate.
O olhar então se voltou para uma das operações mais presentes no cotidiano do consumidor. Diego Barreto, CEO do iFood, mostrou como a Copa do Mundo colocou marca e operação à prova. Durante as partidas, os pedidos diminuíam ao longo dos 90 minutos e se concentravam fortemente nos 15 minutos de intervalo, exigindo capacidade de resposta em logística, atendimento e disponibilidade de entregadores. A palestra mostrou, na prática, como grandes momentos de atenção também geram desafios para toda a operação.
Tecnologia e Inovação

O primeiro bloco temático mostrou uma tecnologia cada vez mais próxima das decisões e dos problemas cotidianos do foodservice.
Carol Gianotta, da Coca-Cola FEMSA, trouxe aplicações de inteligência artificial na operação, como recomendações, promoções e personalização de pedidos, além do uso de dados para apoiar estoque, entregas e uma atuação comercial mais consultiva.
Na sequência, Fernanda Faria, do Zé Delivery e AB InBev, colocou a tomada de decisão no centro da conversa sobre IA. A provocação foi olhar primeiro para qual decisão precisa ser tomada melhor, mais rápido ou com menor custo e, somente depois, definir como a tecnologia pode ajudar.
A transformação digital da cadeia também ganhou espaço com Cassia Teixeira, do Mercado Livre, que abordou novas possibilidades para escalar operações, conectando compras, vendas, logística e relações B2B. Um dos números apresentados dimensiona a mudança no comportamento de consumo: 88% dos brasileiros já compram bens de consumo pela internet.
Fechando o bloco, Milton Machado, da Prática, levou a inovação para dentro da cozinha. Entre os cases apresentados, a aplicação do sistema Cook & Chill permitiu reduzir em 70% as perdas, de 100 kg para 30 kg por dia, mostrando como tecnologia também se traduz em produtividade, padronização e redução de desperdícios.
As quatro apresentações integraram o bloco de Tecnologia e Inovação da programação.
Competitividade no Foodservice

Depois do almoço, os números do mercado abriram espaço para uma discussão sobre desempenho, crescimento e competitividade.
Eduardo Yamashita apresentou os resultados de julho do Índice de Desempenho Foodservice (IDF). No mês, as vendas totais dos operadores cresceram 8,1% nominalmente e 2,6% em termos reais. Em mesmas lojas, porém, a alta nominal de 4,9% correspondeu a uma retração real de 0,7%.
O delivery foi outro destaque: o canal respondeu por 25,5% das vendas dos operadores da amostra e registrou crescimento de 42,9% nas transações, enquanto o salão apresentou queda de 3,2%.
Na sequência, Ingrid Devisate, vice-presidente Executiva do IFB, ampliou o retrato com “O Brasil que Alimenta o Brasil: 2º tri, cenários e projeções”. O país reúne 1,64 milhão de pontos de venda, e o gasto com foodservice alcançou R$ 62,9 bilhões no segundo trimestre de 2026. No período, o tráfego recuou 4%, enquanto o ticket médio cresceu 5%, chegando a R$ 22,10.
A perspectiva internacional veio com Yingdong Liu, da MIXUE, em uma discussão sobre integração vertical e crescimento. A companhia passou seus primeiros dez anos com apenas uma loja e chegou a 2026 com mais de 49 mil unidades em mais de 15 países.
Um dos aprendizados da trajetória veio justamente de um momento de desaceleração. Ao identificar que a expansão estava provocando perda de padrão, a MIXUE interrompeu novas aberturas por mais de seis meses e mudou seu indicador de sucesso: em vez de olhar apenas para quantas lojas eram abertas, passou a priorizar quanto lucro cada unidade gerava.
Dados, cenário brasileiro e uma experiência internacional de escala formaram, assim, o bloco Competitividade no Foodservice.
A Nova Língua do Marketing

Se os primeiros blocos olharam para tecnologia, operação e competitividade, a tarde avançou para uma pergunta igualmente importante: como conquistar atenção e transformá-la em conexão e resultado?
Abraham Briseño Moreno, do TikTok, mostrou uma jornada de consumo cada vez menos linear, na qual assistir, pesquisar, compartilhar, conversar e comprar se misturam. Creators, entretenimento e storytelling passaram a ocupar um papel importante nessa descoberta — e um dado apresentado chamou atenção: conteúdos considerados sem graça são 27% menos eficazes em gerar conversão.
Na sequência, Chantal Kopenhagen Goldfinger, cofundadora e CMO da GoldKo, mostrou o impacto dessa lógica nos resultados da própria empresa. Em menos de um mês após começar sua atuação no TikTok, a marca registrou alta de 115% nas vendas online e de 329% no tráfego do site.
O digital também levou consumidores às lojas: a unidade do Pátio Paulista dobrou o faturamento no dia seguinte a um vídeo viral sobre o marshmallow. E a audiência da marca mudou: atualmente, 73% dos seguidores têm entre 18 e 34 anos.
Netão, fundador e CEO do Grupo Bom Beef, encerrou o bloco discutindo marketing de influência e uma construção de marca apoiada em conteúdo, audiência e autoridade. Atenção, autenticidade e distribuição apareceram como elementos de uma relação em que marcas e seus próprios fundadores assumem papel ativo na conversa com o consumidor.
TikTok, GoldKo e Bom Beef compuseram o bloco A Nova Língua do Marketing.
A Visão de Quem Lidera

Para fechar o dia, o foodbiz summit reuniu diferentes perspectivas da cadeia no painel “A Visão de Quem Lidera”.
Alessandro Rios, Danielle Garry, Ana Paula Coelho, João Adas, Fernando Munhoz, Francisco Fornasaro e Tamara Brabo estiveram juntos no palco no último bloco da programação.
Ao longo do dia, os diferentes conteúdos mostraram um foodservice no qual tecnologia, dados, operação, marketing e competitividade estão cada vez mais conectados. Dos 42,9% de crescimento das transações no delivery aos 49 mil pontos da MIXUE, passando pelos 115% de avanço das vendas online da GoldKo, os números ajudaram a traduzir transformações que já estão acontecendo na cadeia.
O foodbiz summit 2026 reuniu essas diferentes perspectivas em São Paulo e colocou operadores, indústria, fornecedores, serviços e plataformas em uma mesma conversa sobre os movimentos do foodservice brasileiro.

Agradecimento aos patrocinadores
A realização do foodbiz summit 2026 contou com o apoio de empresas que fazem parte e contribuem para o desenvolvimento do ecossistema de foodservice no Brasil.
O IFB agradece a Coca-Cola, Da Vinci (marca da Kerry), Ekma (Marcas DMG), Friboi (JBS), MBRF, Monin, Nevasca, Pregel, Red Bull, Rich’s, Rojemac Profissional, Tirolez, Top Taylor e Vigor pelo apoio ao evento e por estarem ao lado do Instituto na construção de espaços de conteúdo, relacionamento e conexão entre os diferentes elos da cadeia.
Nos vemos em 2027!







