A Plenária do IFB mais recente deixou um recado claro: o foodservice brasileiro não está mais discutindo tendências — está operando em cima delas.
Com anfitriã MBRF, representada por Manoel Martins, e patrocínio da Red Bull, o IFBREAK reuniu lideranças do setor em um encontro que combinou dados concretos, leitura de cenário e decisões práticas.
A agenda percorreu três grandes blocos: desempenho do setor, transformação do delivery e os impactos da Reforma Tributária — três temas que, juntos, ajudam a entender para onde o mercado está indo.
O setor começa 2026 com crescimento — mas com um ponto de atenção
Os dados apresentados no fechamento do 1º trimestre mostram um foodservice em movimento.

O ticket médio segue em alta (+5,3%), enquanto o delivery já representa cerca de 20% do consumo total, consolidando seu papel estrutural dentro da operação.
O ponto de atenção, no entanto, não está no consumo — está na frequência.
O desafio agora não é fazer o cliente pedir mais caro, mas fazer ele voltar mais vezes. E isso muda completamente a lógica de estratégia.
Delivery: o jogo não é mais aquisição
O Panorama do Delivery 2025 trouxe números que ajudam a dimensionar o tamanho — e a concentração — desse mercado.
Foram analisados mais de 58 milhões de pedidos, gerando um faturamento estimado de R$ 4,7 bilhões e envolvendo 22,3 milhões de consumidores únicos

Mas o dado mais relevante não está no volume — está na distribuição:
4,4% dos clientes geram cerca de 39% dos pedidos.
Isso reforça uma virada importante: o crescimento não vem mais da base, e sim da recorrência.
Outro ponto que ganhou destaque foi o papel do canal próprio. Dentro da base analisada, 63,8% dos pedidos já vêm de canais diretos, enquanto marketplaces representam 32,2%
Mais do que canal, isso é estratégia: quem domina o relacionamento com o cliente consegue trabalhar recompra, margem e previsibilidade.
Frequência, não volume, passa a definir performance
Os dados mostram um cenário contraintuitivo: apesar do crescimento do delivery, a maioria dos clientes ainda não se fideliza.
Cerca de 61% dos consumidores fazem apenas um pedido por ano
Ou seja, o problema do setor não é atrair — é reter.
Esse movimento reposiciona prioridades: CRM, base de dados e relacionamento passam a ser mais relevantes do que investimento em aquisição pura.
Reforma Tributária: menos sobre imposto, mais sobre operação
Se o delivery trouxe a discussão sobre crescimento, o bloco de tributação trouxe uma discussão ainda mais estrutural: sobrevivência e competitividade.
A Reforma Tributária foi apresentada como uma mudança que vai além da legislação — ela altera margem, fluxo de caixa e tomada de decisão.

Na prática, o setor passa a operar com:
- Substituição de tributos por CBS e IBS
- Alíquota padrão próxima de 26,5%, com regimes específicos para o foodservice
- Não cumulatividade plena (créditos ao longo da cadeia)
- Split payment, que impacta diretamente o caixa
Para operadores, isso significa uma mudança direta no resultado financeiro. O modelo atual de formação de preço e gestão de custos deixa de funcionar como antes.
O impacto invisível está na cadeia
Um dos pontos mais relevantes discutidos foi o efeito indireto da reforma.
O custo não muda apenas dentro da operação — ele vem da cadeia.
Se fornecedores não estiverem adaptados, o impacto chega via preço. E isso pode acontecer sem negociação direta.
Além disso, a lógica de crédito muda o jogo competitivo: empresas que conseguirem mapear e capturar créditos primeiro passam a operar com vantagem real.
2026: o ano de decisão
A leitura mais recorrente ao longo do encontro foi que 2026 é um ano de transição estratégica.
É o momento de:
- Revisar cardápio e estrutura de custos
- Reavaliar fornecedores
- Ajustar precificação antes das novas regras entrarem plenamente
- Investir em tecnologia e governança fiscal
Empresas que fizerem esse movimento agora entram em 2027 com estrutura pronta. As que não fizerem tendem a absorver a mudança já com impacto na margem.
Um setor mais sofisticado — e mais exigente
A plenária reforça uma mudança de patamar no foodservice brasileiro.
O setor segue crescendo, mas com uma nova lógica:
- Crescimento vem de frequência, não só de volume
- Delivery é estrutura, não complemento
- Dados deixam de ser suporte e passam a ser base de decisão
- Tributação vira variável estratégica, não apenas contábil
E talvez o principal ponto: a vantagem competitiva está cada vez menos no produto e cada vez mais na gestão.







