A colaboração entre empresas de proteína animal e operadores de foodservice – como restaurantes, cafeterias e redes de fast food – tende a ser cada vez mais estratégica para enfrentar desafios conjunturais e fortalecer toda a cadeia. É o que revela um novo relatório da RaboResearch, unidade de pesquisa do Rabobank especializada em agronegócio.
Segundo o estudo, parcerias mais estreitas entre esses dois setores podem contribuir para ganhos em eficiência, segurança no fornecimento e avanço nas metas de sustentabilidade – temas centrais para o futuro da alimentação.
Foodservice: canal de crescimento para proteína animal
Hoje, cerca de 25% da proteína animal consumida na Europa é destinada ao foodservice. Mesmo com o consumo doméstico em desaceleração, esse canal segue em expansão. Em 2024, o crescimento do consumo de carnes como hambúrguer, frango e kebab fora do lar superou o registrado dentro de casa, especialmente em ocasiões especiais.
Além disso, mudanças demográficas reforçam essa tendência. O número de lares formados por uma ou duas pessoas está crescendo, favorecendo o consumo de refeições prontas e práticas, o que posiciona o foodservice como peça-chave para o setor de proteínas.
Pressão por oferta e custos desafia a cadeia
A produção de carne bovina e suína na Europa tem recuado, afetada por fatores como restrições ambientais, questões sanitárias e baixa rentabilidade. A produção de frango avança, mas de forma concentrada em algumas regiões. Esse cenário tem elevado os preços: entre 2019 e 2025, os valores das carcaças subiram 73% para boi, 56% para frango e 53% para porco.
Para o foodservice, garantir fornecimento estável e de qualidade será um desafio cada vez maior – especialmente quando há preferência por fornecedores locais, que também enfrentam limitações logísticas e produtivas.
O papel das importações e os desafios da competitividade
Embora as importações de proteína animal pela União Europeia não tenham crescido de forma expressiva nos últimos anos, acordos comerciais – como o do bloco com o Mercosul e as negociações com a Tailândia – podem mudar esse cenário.
Como o consumidor final no foodservice geralmente tem menos acesso a informações sobre a origem do alimento, esse canal tende a absorver uma parcela maior das carnes importadas, diferentemente do varejo, que privilegia produtos nacionais.
Caminhos para a colaboração: recomendações do estudo
A RaboResearch destaca que os desafios enfrentados por ambos os setores – como escassez de mão de obra, margens apertadas e metas ambientais – pedem soluções conjuntas. Veja algumas das estratégias sugeridas:
Para empresas de proteína animal:
- Estabelecer contratos de fornecimento de longo prazo com redes de foodservice;
- Investir em automação e soluções de processamento;
- Oferecer produtos de maior valor agregado e soluções prontas;
- Incentivar práticas sustentáveis e rastreabilidade digital;
- Diversificar a produção (boi, porco, frango) e garantir presença local.
Para operadores de foodservice:
- Criar parcerias diretas com fornecedores confiáveis;
- Adaptar cardápios com opções híbridas (carne + vegetais) e cortes mais acessíveis;
- Comunicar práticas sustentáveis aos clientes;
- Priorizar fornecedores com certificações e iniciativas regenerativas.
Sustentabilidade como diferencial competitivo
Mais de 90% das emissões do foodservice estão relacionadas ao escopo 3 – ou seja, à cadeia de fornecimento. Por isso, a transição para carnes de origem regenerativa, orgânica ou certificada pode representar não apenas uma resposta às exigências ambientais, mas também uma vantagem competitiva.
Casos como o da Compass Group na França, que firmou parceria com a cooperativa Terrena para adquirir carne bovina com rastreabilidade e práticas sustentáveis, e da plataforma Grassroots no Reino Unido, que conecta restaurantes a produtores regenerativos, mostram o potencial transformador dessa abordagem.
Colaboração como chave para o futuro
Segundo o Rabobank, fortalecer a sinergia entre a produção de proteína animal e o foodservice será essencial para lidar com os desafios que se intensificam na cadeia alimentar global. A criação de contratos estáveis, a inovação em produtos e a eficiência logística estão no centro dessa parceria que busca não apenas viabilidade econômica, mas também impacto ambiental positivo.
Fonte: Portal do Agronegócio







