A Geração Z está ajudando a redesenhar o papel dos shoppings — e isso diz muito sobre o momento atual do consumo.
Depois de anos marcados pelo avanço do e-commerce e pela perda de relevância desses espaços, os centros comerciais voltam a ganhar fôlego impulsionados por um público que cresceu no digital, mas busca experiências no físico. Para o Portal Foodbiz, essa movimentação acende um alerta importante: o comportamento híbrido deixou de ser tendência e virou padrão.
Segundo dados recentes, os gastos da Geração Z já superam os de outras gerações e devem ultrapassar US$ 12 trilhões globalmente até 2030. Mais do que isso, esses consumidores estão direcionando uma parcela maior do seu orçamento para lojas físicas — especialmente quando comparados aos mais velhos.
O dado chama atenção, mas o motivo é ainda mais interessante.
Para esses jovens, ir ao shopping não é apenas comprar. É viver uma experiência que começa no online e se completa no offline. A jornada muitas vezes nasce no TikTok, Pinterest ou Instagram — e termina com a experimentação do produto, o encontro com amigos e, claro, a produção de conteúdo.
Não é raro ver adolescentes gravando vídeos dentro das lojas, tirando fotos em provadores ou transformando a visita em um evento social. O shopping vira cenário.
Esse comportamento tem levado o varejo a se adaptar rapidamente. Espaços “instagramáveis”, ativações pensadas para redes sociais e lojas físicas de marcas nascidas no digital estão se tornando comuns. O objetivo é claro: transformar o ponto de venda em um ambiente compartilhável.
Para marcas, a lógica muda. Não basta estar presente — é preciso ser relevante dentro da narrativa que o consumidor constrói online.
Outro ponto importante é o papel da influência. A Geração Z continua valorizando recomendações, mas a origem mudou. Em vez do vendedor, entram em cena criadores de conteúdo e amigos. O consumo passa a ser mediado por identificação, não apenas por necessidade.
Ainda assim, há algo bastante tradicional nesse movimento: a busca pelo contato físico com o produto. Sentir o tecido, experimentar, levar na hora — fatores que o online ainda não substitui totalmente.
Esse equilíbrio entre conveniência digital e experiência presencial ajuda a explicar por que marcas estão voltando a investir em lojas físicas. Algumas, inclusive, expandindo operações depois de anos de retração.
Para o foodservice, a leitura é direta.
Se os shoppings voltam a ganhar fluxo, aumentam também as oportunidades para operações de alimentação. Mas não basta depender do tráfego: é preciso entender que esse novo consumidor espera mais do que funcionalidade. Ele busca experiência, estética e conexão com o ambiente.
O shopping, nesse contexto, deixa de ser apenas um ponto de passagem e volta a ser um destino.
E a Geração Z está no centro dessa transformação.
Conteúdo publicado pelo The Wall Stree Journal







