Cinco movimentos principais redefiniram a forma como os brasileiros consomem alimentos em 2024 — e os efeitos já começam a se refletir nas escolhas feitas dentro e fora de casa. Um novo levantamento da Worldpanel by Numerator identificou transformações relevantes nos padrões de compra e alimentação, revelando sinais importantes para o foodservice se reposicionar.
Entre as tendências mais marcantes do ano passado, destacam-se o retorno da rotina fora de casa, a valorização da conveniência atrelada a experiências prazerosas, a retomada da saudabilidade com um viés mais restritivo, os desafios para colocar em prática ações concretas de ESG e a consolidação da omnicanalidade, com consumidores cada vez mais fluentes em múltiplos canais e exigentes por uma experiência integrada.
Esses movimentos não apenas ajudam a entender o passado recente — eles apontam para o que pode acontecer a seguir.
No entanto, os primeiros meses de 2025 já mostram sinais de mudança. Dados do painel contínuo Usage Foods revelam que, no primeiro trimestre, as refeições feitas em casa cresceram 5,5%, enquanto os momentos de consumo fora do lar caíram 1,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Parte importante dessa tendência vem das classes mais altas, que passaram a cozinhar e compartilhar refeições com mais frequência. Alimentos como legumes, frutas, ovos, frango, requeijão, pratos prontos e até refrigerantes ganharam espaço no dia a dia.
A Geração Z (nascidos entre 1995 e 2010) também tem influenciado esse novo cenário. Entre o primeiro trimestre de 2024 e o de 2025, o consumo de alimentos e bebidas dentro de casa cresceu 7,1% entre esses jovens, especialmente em ocasiões de lanche. A preferência por praticidade aliada a sabores conhecidos pode representar oportunidades para marcas que souberem se posicionar com agilidade.
Há ainda uma reconfiguração de padrões alimentares entre diferentes classes sociais. As classes A e B ampliaram o consumo de itens básicos como arroz, feijão e carnes. Já as classes D e E realizaram substituições no cardápio, com menor presença de alimentos ricos em gordura, como queijos, ovos e refrigerantes. Esse reposicionamento reflete tanto a queda nos preços de algumas commodities quanto uma reorganização do orçamento entre diferentes categorias de consumo.
A percepção de saudabilidade também evolui. O envelhecimento da população brasileira tem impulsionado a busca por refeições mais equilibradas e práticas. Métodos de preparo considerados mais saudáveis, como grelhados, forno e fritadeiras elétricas, estão em alta. Ao mesmo tempo, o consumo de álcool dentro de casa continua em queda — não apenas entre jovens, mas também entre adultos e idosos.
Para Renan Cavallieri, Gerente Sênior de Soluções Avançadas e Painel de Uso da Worldpanel by Numerator, compreender essas mudanças é essencial: “Estar um passo à frente exige cada vez mais dados acionáveis, leitura constante do consumidor e agilidade para adaptar produtos, canais e narrativas às novas demandas.”
O estudo, realizado com 3.800 pessoas em sete regiões metropolitanas brasileiras (São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Recife e Fortaleza), monitora diariamente os hábitos alimentares da população. Um material estratégico para marcas que desejam responder com inteligência às novas demandas de consumo.
Fonte: Portal Making Of







