Gabriel Abrão começou cedo. Ainda na casa dos 20 anos, recém-formado em administração, cofundou o Attivo Group — hoje responsável por algumas das restaurantes mais reconhecidos do segmento premium no Brasil. A trajetória que começou com forte influência da culinária japonesa se transformou, ao longo de uma década, em um portfólio mais diversificado e estrategicamente estruturado.
À frente de marcas como Kitchin, Aima e Su, além do italiano La Serena, o grupo chega a 10 anos em 2026 mantendo ritmo de expansão. Os movimentos mais recentes ajudam a entender essa nova fase: a abertura da Brasserie Margaux, em São Paulo, e a estreia internacional com o Mottai, em Miami.
O posicionamento do Attivo Group passa por uma leitura clara do público que quer atingir. Trata-se de um consumidor exigente, com repertório global e atento a cada detalhe da experiência. Nesse contexto, a operação vai além da cozinha. Arquitetura, ambientação e serviço são tratados como extensões do produto.
Segundo Abrão, a lógica é simples, mas difícil de executar com consistência: olhar para todos os pontos de contato com o cliente. Isso se traduz em espaços bem resolvidos, propostas gastronômicas coerentes e uma preocupação constante com padrão de entrega.
A base do grupo foi construída com conceitos japoneses — uma escolha inicialmente pessoal, mas que se mostrou aderente a um público disposto a pagar por experiência. Com o tempo, veio também a necessidade de equilibrar o portfólio. A dependência de insumos como pescados, sujeita a variáveis externas, impulsionou a diversificação.
É nesse contexto que surgem operações como o La Serena e, mais recentemente, a Brasserie Margaux, inaugurada no MorumbiShopping. Com proposta clássica e capacidade para 110 lugares, a casa tem menu assinado pelo chef francês Laurent Suaudeau, trazendo uma abordagem mais tradicional dentro do portfólio do grupo.
Já o Mottai marca um passo importante: a entrada no mercado internacional. Localizado em Coral Gables, em Miami, o restaurante amplia o repertório asiático do grupo, com um cardápio mais abrangente e foco também em pratos quentes — um movimento que dialoga com o perfil do consumidor local.
Além das aberturas físicas, o Attivo também estruturou operações próprias de delivery para suas marcas japonesas e expandiu presença para outras capitais, como Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
Depois de uma década, o desafio deixa de ser apenas crescer. Passa a ser sustentar relevância. Para os próximos anos, o foco está em consolidar o grupo como um player cada vez mais forte em hospitalidade — um setor em que experiência, consistência e adaptação contínua fazem diferença real no resultado.
Para quem acompanha o foodservice, a trajetória do Attivo Group ajuda a ilustrar um ponto importante: crescer no segmento premium exige mais do que conceito — exige operação afinada e capacidade de evoluir junto com o consumidor.
Conteúdo publicado pela Exame adaptado para o Portal Foodbiz.







