Antes mesmo do início oficial da NRA Show 2026, o IFB aproveitou a agenda em Chicago para visitar operações que ajudam a traduzir alguns dos movimentos mais relevantes do foodservice global hoje: hospitalidade cada vez mais autoral, operações desenhadas para eficiência e formatos híbridos entre restaurante, varejo e produção.
Entre steakhouses sofisticadas, tavernas gregas contemporâneas, dark kitchens industriais e mercados premium, um ponto ficou claro: experiência e operação deixaram de ser áreas separadas. Os negócios mais interessantes do momento conseguem unir identidade forte, excelência operacional e capacidade de adaptação ao novo comportamento do consumidor.
A experiência virou diferencial competitivo
Asador Bastian
Chicago vive um momento de forte valorização das experiências gastronômicas premium — mas com menos formalidade e mais personalidade. O Asador Bastian representa bem esse movimento.
Instalado em uma townhouse histórica restaurada em River North, o restaurante aposta em inspiração basca, foco absoluto em produto e uma experiência altamente sensorial. O ambiente combina sofisticação com acolhimento, fugindo do excesso de formalidade que dominou o fine dining nos últimos anos.
A operação ganhou destaque internacional recentemente, sendo reconhecida entre os melhores steakhouses do mundo em rankings recentes.
O que chamou atenção
Experiência
- Jornada extremamente personalizada
- Serviço técnico, mas caloroso
- Forte storytelling da origem dos ingredientes e da cultura basca
Ambientação
- Uso de arquitetura histórica para criar exclusividade
- Iluminação intimista e cozinha com protagonismo do fogo
- Sensação de “casa sofisticada” em vez de restaurante tradicional
Pratos
- Cortes premium preparados em brasa
- Menu enxuto, centrado em excelência de execução
- Ingredientes com protagonismo absoluto
Tendências para o Brasil
- Crescimento do “premium casual”
- Casas de carnes mais autorais e menos tradicionais
- Valorização da experiência arquitetônica
- Menus menores com foco em execução impecável
- Hospitalidade mais humana e menos protocolar
Andros Taverna
Outro destaque da visita foi a Andros Taverna, operação que traduz uma tendência forte do mercado americano: cozinhas étnicas contemporâneas com experiência compartilhável.
Inspirada nas tavernas gregas modernas, a casa mistura pratos mediterrâneos, clima vibrante e hospitalidade extremamente acolhedora. O destaque está justamente na combinação entre ambiente social, cozinha leve e experiência descontraída.
O que chamou atenção
Atendimento
- Serviço descontraído e próximo
- Forte recomendação ativa dos pratos
- Equipe preparada para contar histórias dos ingredientes
Ambientação
- Design contemporâneo, mas caloroso
- Atmosfera energética e social
- Música, iluminação e disposição das mesas incentivando compartilhamento
Pratos
- Mezze para dividir
- Grelhados em carvão
- Forte presença de vegetais e frutos do mar
- Sobremesas visualmente atrativas e compartilháveis
Tendências para o Brasil
- Expansão da cozinha mediterrânea
- Experiências voltadas para compartilhamento
- Menus mais leves e vegetais sem perder indulgência
- Ambientes desenhados para permanência e socialização
- Hospitalidade como diferencial estratégico
Dark kitchens mais industriais e estruturadas
Amped Kitchens
Se nos restaurantes o destaque está na experiência, nas dark kitchens o foco é eficiência, escalabilidade e estrutura.
A Amped Kitchens mostra como o conceito de ghost kitchen evoluiu nos EUA. O modelo deixou de ser apenas um espaço para delivery e passou a funcionar como um hub industrial de produção alimentar.
A empresa oferece cozinhas privadas modulares, armazenamento refrigerado, logística integrada e suporte operacional para marcas em diferentes estágios de crescimento.
O que chamou atenção
Operação
- Estrutura altamente padronizada
- Espaços preparados para múltiplas marcas
- Operações desenhadas para ganho de escala
Logística
- Integração com delivery e distribuição
- Fluxos separados para recebimento, produção e expedição
- Forte preocupação com velocidade e previsibilidade
Produção
- Capacidade de atender foodservice, catering e varejo
- Estrutura voltada também para marcas próprias
- Flexibilidade operacional
Estrutura
- Cozinhas modulares
- Áreas refrigeradas compartilhadas
- Tecnologia de monitoramento e gestão
O que isso sinaliza para o Brasil
O modelo americano mostra uma mudança importante: dark kitchens estão deixando de ser apenas operações de delivery para se tornarem plataformas de produção alimentar.
Entre os aprendizados possíveis:
- Operações mais profissionalizadas
- Integração entre foodservice e varejo
- Crescimento de marcas híbridas
- Cozinhas compartilhadas com perfil industrial
- Uso maior de tecnologia operacional
Além disso, o mercado americano já discute uma nova fase das ghost kitchens: menos foco em expansão acelerada e mais preocupação com eficiência, logística e múltiplas fontes de receita.
O varejo alimentar cada vez mais experiencial
The Fresh Market
No food retail, o destaque fica para a transformação da compra em experiência.
Mercados premium como o The Fresh Market reforçam tendências que devem ganhar ainda mais força no Brasil:
- exposição mais sensorial
- conveniência premium
- integração entre varejo e foodservice
- forte curadoria de produtos
O que chamou atenção
Exposição
- Setores organizados como “ilhas de descoberta”
- Forte valorização visual do fresco
- Mix reduzido, mas altamente curado
Experiência de compra
- Sensação de mercado boutique
- Atendimento mais consultivo
- Ambientes que incentivam permanência
Tecnologia
- Autoatendimento integrado
- Etiquetas digitais
- Operação desenhada para agilidade sem perder percepção premium
Tendências para o Brasil
- Supermercados mais gastronômicos
- Crescimento das refeições prontas premium
- Integração entre restaurante, empório e conveniência
- Curadoria como diferencial competitivo
- Ambientes mais instagramáveis no varejo alimentar
O que essas visitas mostram sobre o futuro do foodservice
As operações visitadas em Chicago ajudam a desenhar alguns movimentos importantes para os próximos anos no foodservice brasileiro:
1. Menos excesso, mais identidade
Os negócios mais interessantes têm proposta clara, menus mais objetivos e experiência coerente.
2. Hospitalidade voltou ao centro
Mesmo com avanço tecnológico, atendimento humano continua sendo diferencial competitivo.
3. Operação eficiente virou requisito
A experiência só se sustenta com logística, produção e processos bem estruturados.
4. Foodservice e varejo estão se misturando
Dark kitchens, mercados premium e restaurantes híbridos mostram fronteiras cada vez menores entre canais.
5. O consumidor quer experiência completa
Ambiente, narrativa, serviço, produto e conveniência precisam funcionar juntos.
A NRA Show 2026 reforça que inovação no foodservice não está apenas em tecnologia ou novos formatos. Ela aparece principalmente na capacidade de criar operações mais inteligentes, experiências mais memoráveis e negócios preparados para um consumidor cada vez mais exigente.
Conteúdo produzido pelo IFB com apoio do Portal Foodbiz durante a cobertura pré-NRA Show 2026 em Chicago.







