A Cargill anunciou uma parceria com a startup Voyage Foods para lançar nos Estados Unidos uma alternativa ao chocolate produzida sem cacau. Batizado de NextCoa, o ingrediente utiliza sementes de uva e girassol para reproduzir sabor, aroma e textura semelhantes aos do chocolate tradicional.
O movimento acontece em um momento de forte pressão sobre a cadeia global do cacau. Nos últimos anos, eventos climáticos em regiões produtoras da África Ocidental elevaram os preços da commodity e aumentaram a preocupação da indústria com abastecimento e previsibilidade de custos.
Segundo a Cargill, o novo ingrediente busca oferecer mais estabilidade de preços e segurança no fornecimento para fabricantes de alimentos, além de abrir espaço para novas formulações no mercado de confeitaria e foodservice.
A companhia será responsável pela distribuição exclusiva da tecnologia da Voyage Foods na América do Norte e já ampliou sua estrutura operacional em Ohio para suportar a expansão da categoria.
Alternativas ao cacau ganham espaço
A busca por substitutos do chocolate tradicional vem acelerando globalmente. Empresas de alimentos passaram a revisar formulações e a investir em ingredientes alternativos diante da alta volatilidade do cacau.
Na Europa, onde produtos ligados à sustentabilidade costumam ganhar adoção mais rapidamente, grandes grupos já começaram a testar soluções semelhantes. A Nestlé, por exemplo, lançou recentemente um snack utilizando um substituto de chocolate à base de sementes de girassol desenvolvido pela ChoViva.
Já a Mondelēz vem avaliando manteiga de cacau cultivada em laboratório como parte de iniciativas para reduzir a dependência da matéria-prima tradicional.
Menor impacto ambiental e foco em versatilidade
De acordo com a Cargill, o NextCoa possui pegada de carbono até 67% menor em comparação ao chocolate convencional e não contém alergênicos comuns como leite, soja, amendoim e castanhas.
Outro diferencial apontado pela empresa está no reaproveitamento de ingredientes vindos de outras cadeias produtivas, como sementes de uva provenientes da indústria de bebidas.
O ingrediente poderá ser utilizado em barras de cereal, panificação, sorvetes e coberturas de confeitaria, chegando ao mercado nas versões suave e intensa.
A movimentação reforça uma tendência cada vez mais presente na indústria de alimentos: a busca por alternativas capazes de equilibrar custo, sustentabilidade e segurança de abastecimento em cadeias altamente pressionadas pelas mudanças climáticas.
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