O avanço do uso de medicamentos GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, começa a provocar mudanças relevantes no comportamento de consumo dentro do foodservice. Segundo estudo da consultoria Connections, apresentado durante a NRA Show 2026, os usuários desses medicamentos devem representar 35% das vendas de alimentos e bebidas até 2030.
Os dados foram apresentados por Rachel Royster, diretora de Planejamento Estratégico e Inovação da companhia, durante a palestra “A Year of GLP-1s: Consumer Behavior That’s Here to Stay”. O levantamento aponta que o crescimento no uso dos medicamentos tem sido impulsionado principalmente por objetivos estéticos e de bem-estar.
Atualmente, um em cada oito adultos americanos já utilizou GLP-1 para controle de peso. Entre consumidores do foodservice, a participação de usuários ou ex-usuários do medicamento saltou de 11% para 28% entre 2024 e 2025.
O estudo analisou 19 milhões de usuários e identificou quatro perfis principais de consumo. Entre os usuários atuais, há maior atenção à leitura de rótulos e busca por produtos com mais proteína, fibras, menos açúcar e composição clean label. Apesar da redução do apetite, o prazer associado à experiência alimentar continua relevante, especialmente em atributos sensoriais como crocância, cremosidade e sabor intenso.
Já o perfil de uso estético e lifestyle reúne consumidores de renda mais alta, conectados a plataformas de telemedicina, spas e farmácias de manipulação. Nesse grupo, alimentos associados a conceitos como frescor, leveza e enriquecimento proteico ganham espaço, assim como bebidas não alcoólicas.
O levantamento também aponta um grupo de ex-usuários, que mantém parte dos hábitos adquiridos durante o tratamento, como a leitura de rótulos e maior preocupação nutricional. Ainda assim, muitos relatam dificuldade em sustentar mudanças alimentares no longo prazo.
Outro ponto destacado pela pesquisa é o crescimento dos chamados “não usuários influenciados”: consumidores que não utilizam GLP-1, mas passam a buscar alimentos com benefícios semelhantes, como maior saciedade, densidade nutricional e redução de açúcar. Segundo a consultoria, esse público representa uma das maiores oportunidades futuras para o foodservice e o varejo alimentar.
Além da mudança no perfil de consumo, o estudo mostra que usuários de canetas emagrecedoras tendem a consumir porções menores e deixar mais restos de comida nos pratos, independentemente do formato de operação — de QSR a fine dining. Ainda assim, esses consumidores podem elevar o ticket médio e a frequência de visitas aos restaurantes.
O movimento reforça uma transformação já observada no mercado: a crescente demanda por menus mais equilibrados, ricos em proteína e alinhados às novas jornadas de saúde e bem-estar dos consumidores.
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Fonte: Mercado&Consumo







