Celebrado em 28 de junho, o Dia do Ceviche coloca em evidência um prato que vem conquistando espaço nos cardápios brasileiros, especialmente em operações ligadas à culinária étnica. Apesar da popularidade crescente entre consumidores interessados em preparos leves, frescos e com influência internacional, o ceviche ainda tem baixa penetração no foodservice nacional.
Segundo dados da Wise Sales trazidos pelo IFB, a penetração do ceviche no foodservice brasileiro é de 2%, considerando uma base de 1.199.142 estabelecimentos analisados. O número mostra que, embora o prato tenha ganhado visibilidade, sua presença ainda está concentrada em nichos específicos de restaurantes.
Regionalmente, Sul e Centro-Oeste lideram a presença do ceviche nos cardápios, com 3% de penetração. Já Sudeste, Norte e Nordeste aparecem empatados, com 2%. O recorte indica que o prato tem distribuição relativamente equilibrada no país, mas ainda sem presença massiva nas operações mais tradicionais.
O maior destaque está nas tipologias de restaurantes. Entre os estabelecimentos japoneses, o ceviche aparece em 51% dos cardápios, evidenciando a aproximação do prato com operações que já trabalham com peixe cru, frescor e preparos de influência asiática. Na sequência aparecem restaurantes de outras etnias, com 32%, e chineses, com 19%.
Restaurantes mexicanos e latinos registram 11% de penetração, reforçando a conexão do ceviche com culinárias de matriz latino-americana. Já em operações saudáveis e francesas, a presença é de 4%. Em bares, pubs, cervejarias e restaurantes portugueses, o índice cai para 2%.
Nos restaurantes tradicionais, onde predominam refeições mais regulares do consumidor brasileiro, a penetração do ceviche é de apenas 1%. O dado reforça que o prato ainda está mais associado a ocasiões específicas de consumo, menus autorais e propostas gastronômicas com maior abertura para ingredientes frescos, acidez e influência internacional.
Para o foodservice, o cenário aponta uma oportunidade. O ceviche dialoga com tendências relevantes de consumo, como leveza, frescor, saudabilidade, uso de pescados e valorização de ingredientes tropicais. Ao mesmo tempo, sua baixa penetração mostra que ainda há espaço para crescimento, especialmente em cardápios que buscam diferenciação sem perder conexão com o paladar brasileiro.
Versões com ingredientes locais, como maracujá, manga, caju, pimentas brasileiras e chips de raízes, podem ajudar a aproximar o prato de novos públicos. Mais do que uma receita típica peruana, o ceviche se consolida como uma plataforma de inovação para restaurantes que desejam combinar tradição, criatividade e tropicalização do cardápio.
No Dia do Ceviche, os dados mostram que o prato já encontrou espaço no foodservice brasileiro, mas ainda tem potencial para avançar além dos restaurantes étnicos e ocupar novas ocasiões de consumo.







