A indústria brasileira de biscoitos, massas alimentícias, pães e bolos industrializados movimentou R$ 36 bilhões no primeiro semestre de 2026, crescimento de 2,1% em relação ao mesmo período de 2025. O avanço ocorreu mesmo com uma queda de 2,1% no volume comercializado.
Os dados são de levantamento da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães Industrializados (Abimapi), elaborado com informações da NielsenIQ.
Os números mostram um consumidor mais seletivo, com as compras concentradas em duas frentes: produtos básicos e mais acessíveis para o cotidiano e itens de maior valor agregado quando há percepção de diferenciação.
Biscoitos faturam R$ 18 bilhões
Maior categoria analisada, o mercado de biscoitos registrou R$ 18 bilhões em faturamento, alta de 3,7%. Em volume, no entanto, houve retração de 2,3%, para 747 mil toneladas.
O desempenho evidencia o chamado “efeito ampulheta”, com maior concentração das compras nos extremos de preço. Enquanto produtos básicos permanecem relevantes para consumidores em busca de economia, opções premium, como cookies, biscoitos cobertos e recheados doces, mantêm espaço na cesta.
Os produtos premium já representam 10,3% do faturamento da categoria e 7,9% da frequência de compra. Entre os segmentos que avançaram, os biscoitos cobertos cresceram 7,9%. Os amanteigados registraram aumento de 1,8% na penetração nos lares e de 2,7% nas ocasiões de compra.
Misturas para bolo têm maior crescimento
As misturas para bolo apresentaram o maior avanço percentual do levantamento. O segmento movimentou R$ 613 milhões, crescimento de 14,7%, enquanto o volume aumentou 4,1%, chegando a 69 mil toneladas.
As misturas representam 80,7% da categoria e registraram crescimento de 22,3% na taxa de vendas em valor.
Nos pães industrializados, o faturamento alcançou R$ 8,4 bilhões, alta de 1,1%, apesar da redução de 3,9% no volume comercializado, para 385 mil toneladas.
Pães para hambúrguer e hot dog apresentaram desempenho positivo. As ocasiões de compra de pão para hambúrguer por lar cresceram 15,6%, movimento associado à transferência de parte das refeições rápidas consumidas fora do lar para dentro de casa.
Massas e bolos industrializados recuam
As massas alimentícias movimentaram R$ 7,6 bilhões no semestre, queda de 0,8% na comparação anual. O volume recuou 1,5%, para 642 mil toneladas.
Dentro da categoria, as massas refrigeradas avançaram 6,4% em valor. Produtos de grano duro e opções classificadas como caseiras também apresentaram desempenho positivo.
Já os bolos industrializados registraram R$ 1,4 bilhão em faturamento, retração de 0,8%. Em volume, a queda chegou a 7,4%, para 30 mil toneladas.
As embalagens menores ganharam participação. Entre as monoporções, os produtos de 40 gramas aumentaram em 4,2% sua importância dentro da categoria.
Consumidor equilibra economia e produtos premium
Segundo a análise da NielsenIQ, a racionalização das compras vem se consolidando no comportamento do consumidor. A busca por economia se concentra principalmente nos itens básicos, enquanto permanece a disposição para pagar mais por produtos indulgentes quando há percepção de benefício e diferenciação.
Essa dinâmica ajuda a explicar o crescimento do faturamento mesmo diante da redução do volume vendido. Preço, inovação e valor percebido passam a disputar espaço na decisão de compra, exigindo das fabricantes portfólios capazes de atender tanto consumidores focados em economia quanto aqueles dispostos a pagar mais por produtos diferenciados.
A Abimapi reúne mais de 110 empresas, que representam aproximadamente 80% do mercado das categorias acompanhadas pela entidade.







