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FoodBiz

Alta no dólar, no frete e na matéria-prima eleva custo de importação da borracha 

Preço referência de importação é divulgado mensalmente pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) 

Dólar em alta, frete mais caro e valor da matéria-prima em ascensão encareceram a importação da borracha natural em junho de 2026. O preço referência de importação da borracha natural teve aumento de 7,5% em relação a maio. A base para as negociações entre produtores rurais e beneficiadoras em julho fechou em R$ 16,38/kg. O preço referência de importação do produto baliza as negociações de compra e venda de borracha no país para o mês subsequente. O indicador é elaborado desde 2020 pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. 

Entre as justificativas para a alta nos preços em junho, estão a pressão nos custos de importação, o câmbio em alta e a disparada do frete marítimo. Os contratos de matéria-prima referenciados pela Bolsa de Singapura fecharam o mês em US$ 2,28 por quilo (em média), alta de 2,7%. Já o mercado cambial também registrou pressões no período. O valor médio do dólar subiu 2,9% em junho na comparação com maio, avançando de R$ 4,98 para R$ 5,13. Além disso, o custo do frete disparou 33,7% no preço final de importação. 
 

Entre janeiro e junho de 2026, o preço referência de importação da borracha natural registrou aumento de 24,2%. “A alta decorreu principalmente da valorização das cotações internacionais em razões de uma oferta mais restrita nos principais produtores, aliada às oscilações cambiais que em alguns meses contribuíram para elevar o custo da importação em reais”, explica a pesquisadora colaboradora do Instituto de Economia Agrícola e responsável pelo levantamento, Marli Dias Mascarenhas Oliveira. Segundo a pesquisadora do IEA, houve também uma elevação significativa dos custos logísticos, sobretudo do frete marítimo internacional, ao longo do segundo trimestre deste ano, que aumentou o custo de internalização da matéria-prima. ”Essa variável representa um dos maiores percentuais de participação na formação deste preço”, destaca.
 

O estado de São Paulo é responsável por 60% da produção nacional de borracha natural. Na safra paulista 2024/25 da seringueira, a produção total de coágulo de látex (a matéria-prima da borracha natural) atingiu 266,2 mil toneladas, volume 8,6% superior ao obtido no ciclo anterior, enquanto a área total cresceu 3,1%, totalizando 123,7 mil hectares. As maiores produções encontram-se nas regiões norte e noroeste do estado, tendo como as principais regionais São José do Rio Preto (31%), General Salgado (15,1%) e Votuporanga (13%). Neste contexto, o Índice do IEA é um instrumento de negociação de preço para o produtor vender sua borracha para as beneficiadoras, com uma metodologia que serve à toda cadeia produtiva no Brasil, não se limitando a São Paulo. “É um índice nacional que dá credibilidade, segurança e previsibilidade para o produtor, para que possa ser bem remunerado e ter cobertos seus custos de produção”, enfatiza  a pesquisadora.
 

SOBRE O ÍNDICE DE PREÇOS DE IMPORTAÇÃO DA BORRACHA

O chamado Índice de Preços de Importação da Borracha é executado pelo Instituto de Economia Agrícola, em conjunto com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O indicador permite que se estabeleça uma política de preços pagos aos produtores mais justa e remuneradora. Anteriormente, o valor a ser pago pela matéria-prima era estipulado por associações de compradores do setor. Em São Paulo, maior produtor nacional, os valores pagos não agradavam muito aos produtores, que vinham se sentindo insatisfeitos com a rentabilidade muito baixa apresentada nos últimos anos, implicando prejuízos à cadeia produtiva.

O índice busca evitar concorrência desleal com os principais fornecedores internacionais, já que, se utilizassem apenas os preços de cotação internacional e não incluíssem todas as outras despesas de importação, aqui no Brasil se pagaria o mesmo preço que em alguns países da  Ásia, onde por vezes o produtor é subsidiado e onde pode haver problemas como condições inadequadas de trabalho, degradação do meio ambiente etc. No Brasil, por outro lado, os produtores têm preocupação com todos estes aspectos em sua produção, com sangradores bem remunerados e com condições de trabalho adequadas e atendimento à legislação ambiental. O indicador também possibilita a manutenção da sustentabilidade econômica do negócio no longo prazo, já que a produção dessa cultura só surge a partir do 7º ano, sendo esse período inicial apenas de investimento. 

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