Médico Marcelo Bechara explica como doença impacta na vida dos jovens, quais opções de tratamento e os benefícios da intervenção precoce
A obesidade infantojuvenil já atinge cerca de 16,5 milhões de crianças e adolescentes no Brasil e pode alcançar proporções ainda maiores nas próximas décadas. Um levantamento da Federação Mundial da Obesidade aponta que 228 milhões de crianças e adolescentes, de 5 a 19 anos, viverão com a doença até 2040. Considerando também casos de sobrepeso, esse número pode chegar a 507 milhões.
O avanço da doença está diretamente ligado ao alto consumo de alimentos ultraprocessados e ao sedentarismo, fatores que têm impactado a saúde das novas gerações.
O médico Marcelo Bechara, especialista no tratamento da obesidade, alerta que o cenário é preocupante e vai além da estética. “Estamos vendo crianças desenvolverem doenças que, há algumas décadas, apareciam apenas depois dos 40 ou 50 anos. A obesidade acelera esse processo e expõe o organismo a uma inflamação crônica, aumentando o risco de diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e problemas no fígado.”
Além dos impactos físicos, a obesidade também compromete a saúde mental de crianças e adolescentes, aumentando o risco de baixa autoestima, ansiedade e depressão. O problema está associado ao bullying e à exclusão social, o que agrava ainda mais o sofrimento emocional.
Os tratamentos contra a obesidade têm evoluído, incluindo o uso de canetas emagrecedoras com semaglutida e liraglutida, indicadas para adolescentes a partir dos 12 anos. No entanto, Bechara afirma que o uso deve ser feito sempre com acompanhamento médico e em casos específicos.
Apesar dos avanços terapêuticos, especialistas destacam que não existe uma solução única para a obesidade infantil. O enfrentamento da doença depende de um cuidado contínuo e integrado, que una acompanhamento médico, mudanças no estilo de vida, suporte emocional e participação da família para reduzir os impactos da obesidade ao longo de toda a vida.
“Quando diferentes profissionais trabalham juntos, conseguimos resultados mais consistentes e duradouros, sempre com foco na saúde e não apenas na balança”, conclui Bechara.







