A chamada “economia do Ozempic” já começa a dar sinais concretos no foodservice — e algumas redes estão se movimentando rápido para não ficar para trás.
É o caso do Rei do Mate. A rede, que faturou cerca de R$ 410 milhões em 2025, está ajustando o cardápio e o modelo de negócio para acompanhar uma mudança silenciosa, mas relevante: consumidores comendo menos — e escolhendo melhor.
No Portal Foodbiz, esse movimento aparece como mais um indício de transformação no comportamento alimentar, com impacto direto na forma como bares, cafés e restaurantes estruturam suas ofertas.
Menos volume, mais função
O avanço de medicamentos como Ozempic e Mounjaro tem reduzido o apetite e alterado a lógica das refeições. Sai o prato grande, entra o consumo mais fragmentado — com foco em itens menores, funcionais e com maior valor nutricional.
Para o CEO do Rei do Mate, Antonio Carlos Nasraui, isso muda o jogo:
A tendência não é apenas comer menos, mas buscar mais proteína e benefícios em cada escolha.
Na prática, a rede já começou a reagir. O cardápio passa a incorporar ingredientes como whey protein, colágeno e matcha — produtos que dialogam com esse novo perfil de consumo.
A ideia é simples: capturar ocasiões de consumo mais leves, mas mais frequentes.
Do almoço ao snack (com ticket protegido)
Enquanto restaurantes tradicionais podem sentir pressão no ticket médio com a redução do tamanho das refeições, redes com perfil mais flexível ganham espaço.
O Rei do Mate está apostando justamente nisso: menos dependência de refeições completas e mais foco em snacks, bebidas e itens funcionais.
Hoje, a rede já comercializa cerca de 1 milhão de xícaras de café e cappuccino por mês e vem ampliando o portfólio com açaí, sanduíches e outras opções rápidas.
Um ponto interessante é a diversificação: não há mais um produto dominante. O crescimento vem do conjunto.
Crescer sem entrar na guerra de preço
Outro movimento estratégico chama atenção: fugir da disputa por preço, bastante comum no setor.
Em vez disso, a marca aposta em percepção de valor — com ingredientes mais reconhecidos e posicionamento mais premium.
A lógica é clara: em um cenário de custos pressionados e concorrência intensa, proteger margem pode ser mais relevante do que competir por preço.
Expansão mais leve (e novos caminhos)
Além do cardápio, a rede também está revisando seu modelo de expansão.
O novo formato de loja promete ser cerca de 30% mais barato, o que abre espaço para crescer em cidades menores e pontos alternativos. Hoje, uma unidade pode custar entre R$ 400 mil e R$ 500 mil.
Outro movimento que entra no radar: aquisições. Pela primeira vez, a empresa avalia comprar negócios dentro do universo de alimentação e conveniência.
O que isso sinaliza para o foodservice
Mais do que uma tendência pontual, a “economia do Ozempic” reforça uma mudança estrutural:
- Menos foco em volume
- Mais foco em funcionalidade
- Consumo mais fragmentado
- Ticket sustentado por valor percebido
Para operadores, o recado é direto: não se trata apenas de reduzir porções, mas de repensar o papel do cardápio.
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Fonte: Exame







